Tudo indicava que o casal já estava pronto.
Namoraram por sete anos. Ficaram noivos por um ano meio. E já estavam
casados há três anos.
Naquele apartamento simples com dois dormitórios, adquirido ainda durante
o noivado e com grande esforço em conjunto, havia uma samambaia e um vaso de orquídea que já
duravam 4 anos.
Enfim, pensaram
em compartilhar uma vida.
- Amor, o que você acha?
- Não sei, dá um pouco de medo né?
- Eu sei que dá, amor, mas acho que vamos conseguir.
- Será?
- Estamos precisando de alegria nesta casa. Dar mais vida sabe?
- Sei.
- Você não vê a alegria que está na casa da sua irmã?
- Pois é Michele... Mas minha mãe mesmo foi contra, não lembra? Ela
estava há apenas 3 meses casada e foi muito precipitado.
- Paulo, isso tem 4 anos. Aprendemos com os erros dela... Acho que vamos conseguir sim.
- É, não sei. Temos que pensar bem sobre isso.
- Lá vem você querendo planejar tudo. Paulo, só temos essa vida e não
podemos ficar adiando muito as co...
- Eu sei disso. Mas você já pensou nos gastos de tudo?
- Nem são tantos gastos assim. Além disso, houve aquela tragédia com a
vizinha da sua mãe e acredito que podemos aproveitar muitas coisas.
- Você bebeu Michele? Nunca vou pedir nada pra Dona Joana. Eu odeio
aquela velha, esqueceu? Ela furava minhas bolas, rasgava minhas pipas e ficava contando pra minha
mãe quando eu subia no pé de goiaba.
- Paulo, você se apega demais as coisas. Isso foi há 30 anos.
- Mesmo assim, não vou pedir nada.
- Tudo bem. Você que sabe. Mas não mude de assunto.
- Olha Michelle, esse ano tem sido difícil. As coisas não estão bem no
escritório. Como vou me comprometer com isso?
- Eu estou aqui pra dividir as coisas com você e você comigo, lembra do
que o padre disse? Na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza.
- Claro que eu lembro, mas o problema é que estamos na pobreza né?
- Não exagere, Paulo.
- E não é só isso. Temos que nos mudar para um lugar maior.
- Depois de um tempo né. Deixa ele ou ela crescer. Aí mudamos. Sua mãe
iria adorar.
- É, eu sei.
- O problema é que sua irmã ficaria um pouco com ciúmes né?
- Acho que não. As festas na casa da minha mãe ficariam mais completas. Imagina aquela correria
no jardim?
- É, ia ser legal mesmo. Estou ficando mais empolgada, amor.
- E sua mãe? Acha que iria aceitar?
- Acho. E meu pai também. Mas daquele jeitão dele. Meu pai não é muito carinhoso né Paulo. Você
sabe. Mas minha mãe vai adorar.
- É. To gostando da ideia também.
- E o nome?
- Nossa, já está preocupada com o nome? Ele nem chegou...
- Ou ela né?
- Ah, podia ser ele.
- Porque isso agora hein Paulo?
- Ah amor, imagina eu e ele brincando em um parque domingo de manhã?
- E não pode ser ela?
- Ah, sou ciumento, você sabe.
- Ah, vamos deixar a natureza agir né?
- É verdade. Vamos deixar a natureza decidir.
E depois de decidirem esse passo importantíssimo tiveram uma tórrida noite de amor.
E dois meses depois veio a notícia para a família. Agora sim havia mais
vida naquela casa. Mais um motivo para eles sorrirem. A família adorou a
chegada dele. Sim,
dele.
E nem houve briga para escolher o nome.
Michelle escolheu e Paulo achou que o nome era perfeito.
Ringo.

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