quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Hora Certa


Tudo indicava que o casal já estava pronto.

Namoraram por sete anos. Ficaram noivos por um ano meio. E já estavam casados há três anos.

Naquele apartamento simples com dois dormitórios, adquirido ainda durante o noivado e com grande esforço em conjunto, havia uma samambaia e um vaso de orquídea que já duravam 4 anos.

Enfim, pensaram em compartilhar uma vida.

- Amor, o que você acha?

- Não sei, dá um pouco de medo né?

- Eu sei que dá, amor, mas acho que vamos conseguir.

- Será?

- Estamos precisando de alegria nesta casa. Dar mais vida sabe?

- Sei.

- Você não vê a alegria que está na casa da sua irmã?

- Pois é Michele... Mas minha mãe mesmo foi contra, não lembra? Ela estava há apenas 3 meses casada e foi muito precipitado.

- Paulo, isso tem 4 anos. Aprendemos com os erros dela... Acho que vamos conseguir sim.

- É, não sei. Temos que pensar bem sobre isso.

- Lá vem você querendo planejar tudo. Paulo, só temos essa vida e não podemos ficar adiando muito as co...

- Eu sei disso. Mas você já pensou nos gastos de tudo?

- Nem são tantos gastos assim. Além disso, houve aquela tragédia com a vizinha da sua mãe e acredito que podemos aproveitar muitas coisas.

- Você bebeu Michele? Nunca vou pedir nada pra Dona Joana. Eu odeio aquela velha, esqueceu? Ela furava minhas bolas, rasgava minhas pipas e ficava contando pra minha mãe quando eu subia no pé de goiaba.

- Paulo, você se apega demais as coisas. Isso foi há 30 anos.

- Mesmo assim, não vou pedir nada.

- Tudo bem. Você que sabe. Mas não mude de assunto.

- Olha Michelle, esse ano tem sido difícil. As coisas não estão bem no escritório. Como vou me comprometer com isso?

- Eu estou aqui pra dividir as coisas com você e você comigo, lembra do que o padre disse? Na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza.

- Claro que eu lembro, mas o problema é que estamos na pobreza né?

- Não exagere, Paulo. 

- E não é só isso. Temos que nos mudar para um lugar maior.

- Depois de um tempo né. Deixa ele ou ela crescer. Aí mudamos. Sua mãe iria adorar.

- É, eu sei.

- O problema é que sua irmã ficaria um pouco com ciúmes né?

- Acho que não. As festas na casa da minha mãe ficariam mais completas. Imagina aquela correria no jardim?

- É, ia ser legal mesmo. Estou ficando mais empolgada, amor.

- E sua mãe? Acha que iria aceitar?

- Acho. E meu pai também. Mas daquele jeitão dele. Meu pai não é muito carinhoso né Paulo. Você sabe. Mas minha mãe vai adorar.

- É. To gostando da ideia também.

- E o nome?

- Nossa, já está preocupada com o nome? Ele nem chegou...

- Ou ela né?

- Ah, podia ser ele.

- Porque isso agora hein Paulo?

- Ah amor, imagina eu e ele brincando em um parque domingo de manhã?

- E não pode ser ela?

- Ah, sou ciumento, você sabe.

- Ah, vamos deixar a natureza agir né?

- É verdade. Vamos deixar a natureza decidir.

E depois de decidirem esse passo importantíssimo tiveram uma tórrida noite de amor.

E dois meses depois veio a notícia para a família. Agora sim havia mais vida naquela casa. Mais um motivo para eles sorrirem. A família adorou a chegada dele. Sim, dele.



E nem houve briga para escolher o nome.

Michelle escolheu e Paulo achou que o nome era perfeito.

Ringo.

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