sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Lenda do Interior

Meu Brasil Varonil,

Hoje é um novo dia, de um novo tempo que começou. Nestes novos dias, as alegrias serão de todos que acessarem este blog porque tenho um estagiário! Aeeeeeeeee! um parceiro no blog, meu amigo de fé, meu irmão camarada, Bruno Farnese. 

Aproveito e peço para todos que acessam esse humilde blog que cliquem nas caixinhas de opinião do texto, até mesmo para saber se eu assino a carteira dele ou se mando ele embora, rsrs.

Acho que ele irá escrever por aqui todas as sextas. Vamos ver... Mas tá aí o primeiro texto do rapaz:



Lenda do Interior

Nunca senti tanto medo como quanto aquele dia, quando soube da história da mãe do Ouro.

Você já ouviu?

Existem várias versões, mas a que eu escutei foi lá da cidade de São João de Rey. Dizem que é a lenda mais verdadeira que existe.

Era feriado de escola e um garoto de cidade grande precisa de uma oportunidade para viajar para algum lugar que possa aproveitar a infância livremente, e visitar minha família do interior era o que eu mais gostava de fazer. Oh tempo bom que não volta mais, sô!

Época que a gente jogava bola na rua, soltava pipa com cerol e ninguém morria por causa disso, fazíamos carrinho de rolimã, tocávamos as campainhas das casas já saindo correndo logo pensando - “Se pegar a gente, fudeu!”.

Sem contar as historias que os antigos contavam para gente. Ficávamos “viajando” nas hipóteses loucas do tipo, “e se esse tal de homem do saco for verdade? Vai pegar a gente por causa das campainhas tocadas!” ou “E se a historia do cachorro gigante for verdade?”. Mas a historia que mais impressionou a mim e meu primo Marco foi iniciada por outro primo, Mateus, irmão do Marco, que começou a contar enquanto estávamos na laje da casa deles, soltando pipa.

- Que história é essa, Mateus?

-Você não conhece?  E apontou para um morro que ficava em frente a sua casa, onde fica o famoso Cristo da cidade de São João Del Rey.

Nesse momento, eu, com apenas 09 anos, e meu primo Marco , com 10, escutávamos aquela historia, contada por Mateus já com 15 anos e repleto de “maldade”, com os olhos arregalados.

- Ela aparece bem ali, nesta época de quaresma... Muitas pessoas já sumiram e muita gente sabe a verdade...

Nem vi o momento que eu perdi minha pipa feita de sacola do supermercado Mineirão (Belo Horizonte) diante de tanta apreensão. Meu olhar se perdia naquele morro, coberto por um verde vivo, hortas de fundo de casas que pareciam uma “selva” de tão grande.

- Bruninho, ei... Que foi, menino?

- Não....nã....nada não Mateus....

- E você Marco, Pra onde você ta indo?

- Vou pegar mais papel de seda e pedaço de bambu ....

- Espera, deixa-me acabar de contar para vocês, é muito legal ficar sabendo.

E os dois garotos ingênuos ficaram para escutar aquela historia que o adolescente maldoso continuou a contar.

- A mãe do ouro , um ser misterioso, se ela aparecer na frente de vocês, já era...

- O quê que acontece? – Perguntei rapidamente.

- Bem, você vira ouro, vira uma estátua e nunca mais volta ao normal, ela aparece de noite, nesta época de quaresma...

Engoli seco, percebi o semblante assustado do meu primo Marco, mas quis amenizar a situação.

- Ah Mateus, agora você vai me dizer que o lobisomem vai aparecer também! Hahahaha!

E Marco acompanhou meus escandalosos risos, que simplesmente eram para camuflar o medo que predominou em nós.

Mateus ficou parado nos olhando, sério, sem demonstrar nenhuma reação e se virou para a porta para sair do local.

- Espero que ela perdoe vocês...

Neste momento o silêncio reinou.

Eu e Marco ficamos conversando sobre outros assuntos, mas não dava para tirar a ideia horrível que de aquele dia poderia ser o último de nossas vidas.

- Cara, vamos ficar tranqüilos....

- Isso mesmo, é mentira essa história...

Quando deu 22 horas, o sino da igreja mais próxima tocou. A apreensão aumentava a cada minuto...

- Meninos, hora de ir para cama! Apaguem as luzes e vão dormir...

Aquelas palavras da minha tia soavam como uma sentença de morte para a gente. Não tinha como disfarçar o medo e angústia.

-Marco, o que vamos fazer? – Olhei para ele, esperando uma resposta corajosa de um primo um ano mais velho.

- Marco, Marco...

De repente, meu primo saiu correndo para o armário da sala, pegou uma imagem de Nossa Senhora e foi para o quarto, deitando abraçado com ela...

Pensei logo: “ Fudeu! Agora quem poderá me defender se ele pegou a única imagem que tinha aqui?” e meus olhos começaram a lacrimejar... “Não, eu tenho que ser firme...”

- Marco, larga de ser medroso cara, vamos fazer o seguinte: Vamos olhar para o morro. Se a gente ver algum ponto de luz, a gente corre pra cá e ficamos aqui trancados, beleza?

- Certo, vamos então....

Parecia filme de terror mesmo!

Fazia um barulho do vento da madrugada e a gente abrindo a porta que ligava a sala do segundo andar com a laje. Fomos devagar até a beirada, quando, de repente, o terror tomou conta da gente.

Corremos igual um peido para dentro da casa.

Vimos vários pontos de luzes. Pensei: “Mexemos com a mãe e agora veio a família inteira vingar dos insultos e estamos perdidos, a guerra esta decretada”. Eu e Marcos começamos a chorar em prantos e calados e não podíamos fazer barulho senão mais mortes poderiam acontecer.

- Marco vem cá, por favor, vamos ficar aqui embaixo da cama...

Mas nem precisava falar pois ele já estava ao meu lado, chorando abraçado com a imagem de Nossa Senhora.

- Ave Maria, cheia de graça....

- Pai nosso...

O problema foi que ouvimos barulhos de alguém vindo em nossa direção e quem poderia ser?

O filho do Ouro, o pai, o padrasto? Só sei que a morte estava mais próxima... Olhei para o relógio da parede, 2 horas da manhã ...

- Temos q ficar quietos... – sussurei....

De repente a porta do quarto se abre e...

- Ahhhhhh!!!!

- Ahhhhhh!!!  - Minha tia gritou assustada - Meninos, que isso? O que tá acontecendo?

A cavalaria chegou e a felicidade voltou para as nossas vidas. Desabafamos com minha tia e a ela nos explicou que as luzes eram as casas do morro, obviamente com luzes acesas...
Estávamos salvos.

Só não sei porque, no dia seguinte, Mateus ficou de castigo, sem soltar pipa...



Bruno Farnese. Relações Públicas, filho de Roberto e Kátia. Adorador de carne e cerveja, odeia azeitona, perder no xadrez do avô ou na peteca da avó. Gosta de tentar escrever nas horas vagas. Reclamações e sugestões? Você pode segui-lo no Twitter @bfarnese ou no Facebook.

7 comentários:

  1. Gostei muito do texto, tive um momento nostalgico - lembranças da minha infancia. Ouvi outra versão dessa lenda uma vez, mas enfim, adorei!

    ps. vc é um gatinho... beijuuusss

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    1. Agradeço as palavras carinhosas...Espero que vc goste dos futuros textos! abraços.

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  2. É primo, parece até q eu voltei no tempo. Ri mto lembrando de cada cena escrita por vc. Cara vc tinha q ser escritor, colocou drama em tudo.
    Foi bom lembrar dessa história, qdo eu tiver um filho e tiver certa idade, já sei como ele irá me obedecer.kkkkkk "Aaaaaaaaah Meniiiiiiiiino se não fizer isso a Mãe do Ouro te pega"kkkkkkkkkkk.
    PS. Eu só repassei essa história de horror,pq fizeram o mesmo comigo qdo era criança.Conhece o Itamar q trabalha com o Marco? Temos q perguntar quem assustou ele qdo criança. rs
    Valeu primo abração e parabéns pela ótima narração.

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    1. Kkkk Bons tempos heim Mateus, issso tudo mostra como voces vivenciaram bem a infancia de voces!!!! Eta saudade boa!!! Bjs

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    2. Agradeço as palavras de um irmão...Q faz parte da minha lembrança sempre! obrigado!

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  3. Kkkk Bruninho eu ri demais!!!!! O Mateus sempre aprontando com vc e o Marco kkkk!!!!! Sem contar que recordo q noutro dia vc e Marco na sacada da casa do Mario Lucio, me perguntavam sobre a mae do ouro, agora tá explicado!!!!! Ahhh Mateussss!!! Kkkk Parabéns Filhao , Voce Vai Longe!!!!Bj

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