Pois é. Quando
eu criei esse blog, não
queria que escrever sobre o Galo, o nosso venerado time. Eu sei que existem muitos
blogs espetaculares que falam sobre ele e sempre achei que não tivesse gabarito para escrever sobre.
Hoje, porém, irei
falar sobre o Galo. Aliás, vou falar sobre o estádio ontem e das coisas que
presenciei e que
aconteceram comigo porque, para ajudar alguém, eu e esse alguém, quase ficamos sem assistir o jogo por burocracia das autoridades.
Antes de começar o jogo, estava, como sempre, bebendo com amigos nas
imediações do estádio
Independência. Tudo corria bem, vários amigos lá. Até que estourou um foguete.
Estava olhando para o portão 4 quando assustei com o foguete a ponto de quase abaixar de susto. E neste instante vi que o foguete estourou na nuca
de uma menina, queimando sua nuca e fazendo com que a mesma perdesse um pedaço do cabelo.
Muitas pessoas na hora se revoltaram porque o foguete foi solto mirado pra
torcida e não para o
alto. E ao lado da menina que
recebeu a “foguetada” na nuca, estava um pai de família que carregava uma
criança no colo, o que poderia trazer conseqüências seríssimas.
A Polícia Militar foi verificar a situação com a menina e algumas pessoas apontaram para o suspeito de ter
soltado o tal foguete.
Pois bem. Vários se revoltaram, mas a situação estava resolvida. Aparentemente.
Alguns instantes depois, enquanto conversava com um policial (soldado)
sobre o uso dos
cavalos nos arredores do estádio, os assaltos
e sobre o caso da menina, chega um sargento dizendo que a tal menina atingida não iria prestar queixa. Então, vários
policiais se reuniram e começaram a discussão sobre o que fazer. Até que o
soldado perguntou se
eu tinha visto quem tinha soltado o foguete.
Disse que não. Não
vi quem havia soltado, apenas vi o suposto “agressor” correndo e a policia indo algemar o cara. Ponto. Não sabia de mais nada.
Aí o sargento
veio falar comigo que queria que eu testemunhasse o caso, pois a menina não
queria registrar a ocorrência. Repeti que não poderia testemunhar porque não tinha visto o
causador de tudo,
apenas alguém
correndo e sendo preso.
Aí o sargento
disse que o
comandante do policiamento no jogo precisava ouvir
isso para liberar a menina.
Disse que não
queria perder o jogo, mas sobre a promessa de que iria assistir o jogo tranquilamente e que não teria contato visual com o
suspeito, aceitei ir
dar o depoimento. Eram 16 horas e o jogo era às 17.
Acompanhei o sargento e encontrei com a menina. Muito simpática, a mesma me disse que não iria prestar queixa porque não sabia quem tinha sido e
não queria acusar
ninguém sem ter
certeza.
Sentamos então nas cadeiras próximas a sala da PM e estávamos esperando sermos ouvidos. Depois de passar os dados pessoais para dois policiais em momentos distintos, faltando 10 minutos pro começo
do jogo, o sargento
me chama para conversar com o comandante.
O problema foi que quando entrei na sala, o suspeito estava lá, sentado. E o capitão (comandante) me pediu os
dados.
- Já passei pra
outro policial.
- Mas não me
passaram nada.
- E você quer que eu passe os meus dados na frente do
acusado?
- Ele não vai fazer nada. Fala logo.
E passei os dados. Endereço, telefone e profissão. Ao ser questionado sobre os fatos, apenas informei que não vi quem tinha soltado os
foguetes e que vi o rapaz correndo.
O capitão
agradeceu e falou que eu poderia ir ver o jogo, mas que eu não estava liberado ainda,
pois dependeria do delegado da partida.
Então voltei a sentar ao lado da menina e assistimos o primeiro tempo
inteiro, cercado por policiais militares e civis.
Porém, foi só o árbitro apitar
o fim do primeiro tempo que fomos chamados. A PM passou a ocorrência para o
delegado e ele abriu
a ocorrência de novo, agora, na Polícia Civil.
A primeira revolta foi ver que todos os policiais civis estavam próximos de mim e da menina
durante o primeiro tempo. E só no
intervalo resolveram trabalhar.
Entramos na delegacia
e ficamos novamente ao lado do acusado. O delegado nos chamou e disse que precisava
colher nosso depoimento. Disse que não tinha visto nada, apenas o cara
correr e ser preso e que não poderia afirmar que ele tinha soltado os foguetes e solicitei que fosse liberado. Mas o delegado disse que eu poderia ficar despreocupado, pois seria ouvido rapidamente e poderia ver o jogo.
Mas a menina seria ouvida antes. E que era pra eu aguardar.
Aí veio a segunda revolta. Fiquei aguardando ser ouvido ao lado de possíveis torcedores rivais que estariam infiltrados
no estádio. E sem nenhum policial
perto, pois foram assistir o segundo tempo.
E como desgraça pouca é bobagem, o time rival desempatou o jogo.
Viram a cena? Eu, possíveis torcedores do Cruzeiro, dentro de uma sala com o time deles
ganhando e sem nenhum policial.
E esperei por mais uns minutos. No exato momento em que fui chamado, o Galo empatou novamente.
Viram a cena de novo? Eu, possíveis torcedores do Cruzeiro com raiva porque o time deles tinha tomado um gol de empate do
meu e sem nenhum
policial.
Mas levantei e
prestei depoimento. E, enfim, fui liberado.
A menina, coitada,
nunca havia ido a um estádio em jogo do profissional do time. E estava lá, com o pescoço enfaixado e ardendo, com um pedaço do cabelo a menos,
mas queria ver o jogo.
E quando saí da
delegacia, levei a menina para o meio da torcida para ela sentir a pulsação da mesma.
E quando chegamos no local onde amigos me esperavam o Galo desempatou e
virou o jogo.
Nunca vi tanta emoção na vida. Vários amigos chorando e passando mal ao meu lado. Eu mesmo soltei um grito de desespero por não ter conseguido estar lá com eles antes e por ver
o Galo ganhando de novo. E a menina ao meu lado chorando por sentir a emoção da torcida pela primeira vez.
O jogo acabou e a menina foi embora. Mas a minha raiva ficou.
Não dela, óbvio.
Fiquei com pena pelo fato da primeira vez dela no estádio ter sido assim.
Mas fiquei com raiva das autoridades. Afirmei pra todos que não tinha visto o cara atirar o foguete. Apenas tentei ajudar a menina agredida. E fiquei a mercê da burocracia irritante de inúmeros depoimentos e entrega de dados para vários policiais.
E se eu tivesse visto o cara atirar o foguete? O cara estava ao meu lado
e ouviu os meus dados que eu passei para o capitão da PM. Com certeza, ao fim do jogo, ele estaria solto e poderia ir atrás de mim.
E porque policiais ficam assistindo ao jogo ao invés de ir trabalhar?
E porque não se
colhe o depoimento da testemunha de uma vez e a mesma é liberada rapidamente?
Infelizmente, é
por isso que poucas pessoas se prontificam a ajudar.
E a sensação que ficou é que eu vacilei mesmo em ter aceitado ir tentar ajudar a menina
agredida.
Porque se for pra eu testemunhar um fato, perder um pedaço do jogo e ainda passar os dados com o
acusado prestando atenção, eu prefiro deixar de fazer o meu papel de cidadão e simplesmente deixar de
ajudar.
Infelizmente.
PS: A menina agredida é muito simpática e espero, de coração, que ela se recupere o mais rápido possível.
Atualização: A menina agredida, chama Patrícia Luz e vocês podem achá-la no twitter aqui.
Atualização: A menina agredida, chama Patrícia Luz e vocês podem achá-la no twitter aqui.
Lamentavel isso... Fiquei indignado por vc.
ResponderExcluirQuerido Guilherme, vivemos entre o amor e o ódio, o amor que sentimos e o ódio que muitos carregam dentro de si. Entre os apaixonados que amam, há os apaixonados inconsequentes tais como aqueles amores de adolescentes. Lamentável todo o ocorrido, lamentável a necessidade enorme de fazerem de uma profissão instrumento de pedância e sarcasmo ( falo da polícia em sua maioria ),lamentável o despreparo desses profissionais.
ResponderExcluirGraças a Deus disso tudo fica o Galo e o bem que ele traz. AInda com tanta tormenta, parabéns por sua atitude!
Guilherme,adorei ver minha história contada no blog.Achei um absurdo da polícia tbm pois por cerca de 1 min fiquei sozinha na sala com o suspeito...obrigada por ter tentado ajudar.Peguei 1 semana de atestado,sofri queimadura de 2º grau e terei que ser acompanhada por um cirurgião plástico pra evitar que cicatrize superficialmente e por dentre inflame.Mas agradeço a Deus por não ter sido pior e por não ter pegado no meu rosto e tals... Beijos ( e vamos manter contatos) hahahaha
ResponderExcluirMeu twitter: @patty_elena
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