Era o convite mais importante que recebera naquele ano.
Festa na casa da Vanessa e a turma toda do 1º ano
estaria lá. E havia rumores de que gente do 2º e até do 3º ano estariam lá
também.
O problema era só um. Só entrava na festa quem levasse bebidas. E ele tinha 15 anos.
Nesta fase da vida, ele não ligava em não ter idade para dirigir ou ter idade pra votar, mas
nada incomodava mais
do que o fato de não conseguir comprar bebidas alcoólicas.
Era um desafio. Não
era fácil comprar bebidas. E então buscou ajuda, procurando a pessoa que poderia ajudar. Aquela pessoa que
nunca lhe abandonaria. Aquela pessoa que o Chuck Norris ligaria em caso de
desespero. Seu irmão mais velho.
- Tá doido? Depois a mãe descobre isso e contra pro pai
e sou eu que vou ouvir.
Além disso, na sua idade, eu...
E aí parou de ouvir. Não ajudaria em nada e gastaria
tempo desnecessário. Mudança de estratégia.
Ligou para o amigo e depois de longos 20 minutos no
telefone, ambos chegaram à mesma
conclusão: não tinha jeito. Em momentos de
dificuldade, atitudes
drásticas devem ser tomadas. E tinham que ter pulso para resolverem sozinhos.
O horário da festa estava quase chegando e eles não
tinham muito tempo.
Encontraram em um supermercado, perto do local da festa, no horário combinado e traçaram a
estratégia: Iriam se dividir. Ele pegaria as
vodcas. O amigo esperaria no caixa, para
não correr o risco de enfrentar uma fila gigante. Aí era pagar. E mentir se for caso.
Entraram no supermercado e se olharam. Desejaram boa
sorte um ao outro
pelo olhar e se separaram.
E lá foi ele pegar as duas garrafas. Setor de bebidas.
Alvo localizado. Olhou para aos lados e não viu ninguém. Pegou as garrafas
rapidamente e caminhou com passos largos para o caixa. De longe viu o amigo,
também olhando para
os lados e caminhando na fila.
Ele apertou o passo e foi o tempo de chegar até a fila e entregar as
garrafas para o amigo que era o próximo. Agora tinha que dar a volta na fila, enquanto o amigo
passaria pelo sufoco sozinho. Mas ele chegaria para ajudar. Tinha que chegar.
E foi aí que aconteceu.
Ele viu o amigo. No caixa. E estava com
olhar de desespero.
A lâmpada vermelha do caixa acendeu.
“Fudeu”, pensou.
Pensou em correr e fugir, mas não podia deixar o amigo
ali. Era desumano.
Ao chegar, com olhar de desespero, perguntou o que estava ocorrendo, já
pensando em como iria contar para seu pai advogado que estava preso. E como sua
mãe iria reagir em ter um filho marginal. E como seu irmão iria fazer aquele
olhar de “eu te disse”.
Antes de se imaginar com roupa de presidiário, foi interrompido pela voz da moça do caixa:
- Você está com ele?
Ele podia negar. Bastava pegar um saco de chips no
corredor da fila e dizer que estava querendo apenas aqueles salgadinhos. Ou pegar um chiclete. Mas não iria abandonar o amigo. Poderia se arrepender
depois, mas quis seguir em frente.
- Sim, estou com ele.
E se preparou para o fim.
- Ah tá. É porque eu
tô com um problema aqui e se não estivesse com ele, iria dizer para esperar sua
vez. E vai demorar.
“Agora fudeu mesmo. Ela falou que existia um problema e que iria demorar. Fomos
pegos e iremos envelhecer na cadeia” pensou.
- Co-co-como assim, pro-pro-blema?
- O leitor não tá conseguindo ler o código de barras. Aí chamei minha colega e ela foi lá
buscar outra. Tá tudo
bem garoto? Você tá meio pálido, suando...
- To.... quer dizer, acho que to né.
E a moça sorriu. E ficou olhando para ele e para o
amigo. E o amigo olhando pra ela e pra ele. E ele para os dois.
O tempo era cruel. Anos se passaram. Pelo menos essa era a sensação.
Do nada, a moça cortou o silêncio. E o coração deles.
- Vocês têm idade para comprar isso?
E eles pararam de respirar. Se olharam. Engoliram a
seco. Mas uma onda de coragem tomou conta dele. E ele não iria desistir naquele
momento. Era festa na
casa da Wanessa. Teria gente do 3º ano lá.
- Temos.
- Que bom. Hoje em dia essa meninada começa a beber
cedo. É meio perigoso né.
- Pois é.
E a colega da moça do caixa chegou. Com outras duas
garrafas na mão. A moça do caixa passou as duas garrafas com sucesso pelo leitor.
- Deu 21,98.
E deram o dinheiro. Estavam perto do sucesso. Ele olhou
para o amigo e ambos sorriram.
Colocaram as garrafas na sacola. Agora era só ir embora.
- Peraí, peraí, peraí.
A voz da moça do caixa os paralisou. Sentiram um frio na
espinha. Medo.
- O troco.
E então suspiraram. O amigo pegou o troco, enfiou no
bolso e foram embora.
A vontade deles eram ir correndo pra festa. Cumpriram a
missão com louvor.
Ao chegar ao local da festa, vários outros rapazes os cumprimentaram. Alguns
ficaram surpresos. Como garotos da 8ª série podiam carregar bebidas?
Ele então a viu no
portão, recebendo os convidados. Wanessa estava linda.
- Que bom que você veio. E que bom que você trouxe o
Guilherme. Como conseguiram comprar as vodcas?
Com um sorriso no rosto e peito estufado, ele suspirou.
- É uma longa história. Mais tarde te conto.
E ele contou. Não só pra ela. Não só aquele dia.
Acho q foi baseado em fatos reais! kkkk
ResponderExcluirEsse é baseado em fatos reais! Reparou no fim do texto? rsrsrs
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