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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Lista de Casamento - O desafio

É galera, tem um tempo que não escrevo para o blog e já estava com saudade. Realmente esse negócio de inspiração é complicado, tem dia que vem um caminhão de ideias e, nem sempre, nós conseguimos aproveitá-las.

Estava fuçando meu facebook e me deparei com duas postagens da Carol, minha noiva. Indiretas que eram verdadeiras “diretas” para conhecidos que ficam iguais urubus sobrevoando carniça, querendo saber se vai ser convidado ou não para o nosso casório. Achei engraçadas as postagens, afinal de contas existem esses tipos de pessoas; se não soubessem do seu casamento nunca iriam puxar papo ou te dar um “oi” na rua. Acreditem, estas pessoas existem aos montes.

Meu cunhado Guilherme, escritor mais assíduo deste blog, fala para todo mundo que eu sou “muito bonzinho” e “não sei falar não”. O pior disso tudo é que ele está certo. Mas sou bem criativo e elaborei uma lista de sete sugestões para todos os amigos que queiram se casar ou já estão planejando, logicamente inspirado nas postagens da minha noiva.

Eu, minha noiva e meus padrinhos.

Negócio é o seguinte: conheça bem os seus conhecidos, principalmente aqueles que você NÃO QUER que vá ao seu casamento, mas é obrigado a chamar porque não quer ser o chato da galera ou ser excluído (rsrsrs).  Vejam bem, estas estratégias eu não tenho coragem de fazer porque sou um cara legal (kkkkkkkk) ,mas, caso você não seja, siga as instruções:

Sugestão 1 - A pessoa é evangélica? Então não perca tempo e fala que a cerimônia vai ser num terreiro de candomblé, essa não falha;

Sugestão 2 - Se a pessoa é vegetariana, deixa bem claro que a festa será no “Fogo de chão” ou em outra churrascaria e, como você é chique, fechou só picanha (nada de frango e peixe, porque senão vai abrir brecha)

Sugestão 3 - A pessoa não tem carro? Avisa que a cerimônia será em Juatuba ou Igarapé (cidades mais ou menos perto de Belo Horizonte, minha cidade, que necessita de carro e que não tenha aeroporto - não vamos abrir brechas, não é?)

Sugestão 4 – Pessoa não bebe bebida alcoólica. Simples, já avisa que só terá cerveja, cachaça e whisky e que acha que água, refri e suco são supérfluos (o problema é a “mala sem alça” querer começar a beber logo na sua festa, aí já era)  

Sugestão 5 – Fala que tá sem grana e que cada um terá uma cartela individual e será obrigado a pagar couvert artístico porque você é amigo do músico e 10% do garçom por ser também amigo deste, num barzinho com fama de ser caro lá no Sion ou na Savassi.

Sugestão 6 – A pessoa não gosta de esporte? Avisa que a festa é super gênero esportivo, você fechou um clube da cidade e vai rolar torneios nas diversas modalidades entre os convidados. (essa é viagem demais, mas é tão viagem que vai colar, eu garanto...)

Sugestão 7 – Avisa que a sua exigência é que a cerimônia dure duas horas e meia, porque você quer que seja muito abençoada a união e que não faltem bênçãos dos convidados. Não, não terá festa.

Observação: algumas delas possuem uma parcela significativa de chance de falhar, mas talvez vale a pena tentar.


Um brinde aos futuros casais. 



Bruno Farnese. Relações Públicas, filho de Roberto e Kátia. Apreciador de carne e cerveja, odeia azeitona, perder no xadrez do avô ou na peteca da avó. Gosta de tentar escrever nas horas vagas. Reclamações e sugestões? Você pode segui-lo no Twitter @bfarnese ou no Facebook.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A Árvore

A maioria dos textos que publico aqui são baseados em fatos que ocorreram comigo. Aqueles leitores que nos acompanham desde o começo já devem ter reparado que não tenho o mesmo dom do Guilherme que, diga-se de passagem, é um excelente escritor e merece ter, algum dia, um livro publicado. Algum dia vou me aventurar em escrever histórias criadas num momento inspirado, onde “viajarei muito na maionese”, rsrsrs. Mas hoje não.

Hoje falarei de mim mesmo.

Minha vida daria uma boa novela das oito, dessas com rede de intrigas, vinganças, traições, romances e mistérios. Seria top para o público da Globo, de verdade.

Domingo (hoje é terça feira), ao deitar, fiquei refletindo em tudo aquilo que já passei até então. Quase sempre o ser humano é muito injusto e egoísta, acha que apenas ele é vitima de problemas na vida e se faz de coitado, se esquecendo de suas vantagens e das coisas boas que surgiram por toda sua caminhada. Sim, meus amigos, automaticamente me torno este tipo de pessoa e posso arriscar a dizer que isso faz parte da natureza humana.

Ontem de manhã, antes de sair para trabalhar, fui analisar minhas despesas do mês e minha situação financeira não é das melhores, afinal de contas estou prestes a casar e tenho diversas dívidas como reforma do apartamento, móveis da casa a serem pagos, o próprio casamento, contas mensais e as diversas despesas que vem de carro e casa... Não é fácil.

Tomei café, escovei os dentes, arrumei minha pasta, tudo pensando na grana que preciso. O telefone toca:

- Amor, bom dia!

- Oi, amor...

- Eu estou precisando de sua ajuda para comprar a torneira da pia da cozinha, o filtro e a Máquina de lavar roupa, será que você poderia usar o dia para me acompanhar?

Em segundos já estava pensando em responder “você está doida? Como que vou comprar as coisas sem trabalhar? Perderei minha segunda feira toda para isso? Como é possível?” Mas não. Algo me fez responder:

- Ok, amor. Vamos sim. Vou te pegar em 20 minutos.

- Obrigada!

E aí? Rsrsrs... Com que dinheiro eu vou comprar as coisas que faltam em casa em pleno Dezembro, época de natal? Ai, meu Deus, esqueci completamente da “época de natal”!

Mas tudo bem, vamos apertando ali, conseguindo uma graninha aqui, e vamos para luta!

Ela já estava me esperando com o sorriso no rosto e com... Uma lista na mão? Já vi que meu dia só estava começando e não me estressaria.

- Bom dia, meu amor! Estou feliz por você ter aceitado nossa programação! (Pensei, “Sua, você quer dizer, né”?)

- Ok, amor. Por onde você quer começar?

- Nossa! Credo. Cara de bravo... Se não quiser ir, tudo bem...

- Amorzinho da minha vida, não começa. Vamos com felicidade no coração. (Só que não.)

- hummm (e deu um sorrisinho para mim... Oh raiva.)

Primeira missão do dia: loja de acabamentos. Em resumo, foi tudo certo. Compramos a torneira e o filtro sem problemas, sem discussões, tudo ok.

Segunda missão: qual era?

- Amor, eu pensei da gente ir numa loja ali, perto de casa, tem preços ótimos de utensílios domésticos, vamos?

Não hesitei e nem quis discussão:

- Vamos.

Entramos, fui acompanhando-a. O carrinho começou a encher; vasilhas de plástico, talheres, enfeites, copos, panelas...

- Amor, é mês de natal, temos que enfeitar nossa casa.

Sim, era mês de natal. O primeiro morando sozinho. Mais um sem meus pais juntos. Vieram as lembranças da minha mãe montando a árvore, eu escondido de noite vendo meu pai depositando os presentes para que eu os achasse na manhã de natal, aquela baboseira de se render a magia do bom velhinho que encanta a infância de todas as crianças. Eu ali, pensativo, não percebera que a Carol já havia depositado bolinhas, luzinhas pisca - pisca, presépio, aqueles enfeites coloridos, sininhos, etc.

- Bruno, e a árvore?

Respondi ainda pensativo:

- Ah, as daqui estão muito feias. Vamos comprar em outro lugar.

- Vamos para o caixa. Precisa de mais alguma coisa?

- Não.

- Deu R$ 302,56. Forma de Pagamento?

- Deu mais de 300 pau? Que isso? Ah... vai em dinheiro mesmo que aí já fico livre.

Nossa! A famosa palavra de baixo calão veio em mente, “fudeu”. Mas vamos lá.

Próxima parada: Lojas Americanas.

Nós dois em silencio. Paramos o carro e já fomos direto, focados apenas na loja especifica, sem olhar para os lados, para as vitrines das demais lojas do shopping, conhecido como a tentação de qualquer mulher, inclusive da Carol.

Já fui direto para o setor de árvores. Diversos tamanhos e qualidades. Como escolher? Pelo preço? Vamos tentar.

A mais barata era horrorosa, seus galhos eram muito separados e a estrutura de plástico fica bem evidente, não gostei.

Talvez eu seja raridade nos dias de hoje. Foco muito na representatividade, nos símbolos, nos valores. Eu passei a odiar o natal por diversos fatores; 1 – A sociedade que passou a explorar o natal como uma data puramente comercial, consumista, obrigando a todos a gastar o que não tem. 2 – Amigos ocultos diversos, uma grande merda, uma grande hipocrisia e falsidade. 3 – Meus pais separados. 4 – Brigas familiares. 5 – ter que aguentar sorrisinhos e falso espirito natalino por toda parte.

Mas um longo pensamento e uma emoção tomou conta de mim. Poxa, se eu comprar uma árvore que dure muito tempo, será aquela que meus filhos terão um momento mágico comigo. É um símbolo de uma nova etapa da minha vida, estou construindo a minha família e aquela árvore será uma marca para minha vida toda e me dará um motivo de fazer com que o natal volte a ser uma data especial para mim. Isso não tem dinheiro nenhum que paga.

As lágrimas saíram, e não paravam. Eu me emocionei e não pensei duas vezes, peguei a mais top, a mais cara, não me hesitei e fiz questão de comprar algo que futuramente depositará alegria, felicidade na minha família. Esqueci meus problemas, esqueci das tristezas, recebi um combustível para trabalhar mais para pagar tudo aquilo, o sorriso da minha futura esposa e o seu apoio quando ela percebeu as lágrimas em meus olhos e logo entendeu tudo, foi o primeiro presente de natal.


O natal deste ano será diferente, será marcado pela árvore da família Paiva Farnese.  



Bruno Farnese. Relações Públicas, filho de Roberto e Kátia. Apreciador de carne e cerveja, odeia azeitona, perder no xadrez do avô ou na peteca da avó. Gosta de tentar escrever nas horas vagas. Reclamações e sugestões? Você pode segui-lo no Twitter @bfarnese ou no Facebook.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Miragem

Era mais um dia de vida do garoto Bernardo. Sai do colégio, vai para casa, almoça, aproveita alguns instantes para dar aquele cochilo até umas 14h, toma banho para acordar, vai para academia... ah academia... Um lugar que você ou ama ou odeia. Ficava lá umas 3 horas por dia, era musculação, spinning e alguma aula complementar, como essas que tem nesses pacotes promocionais de hoje em dia. Depois era o de sempre, voltava para casa, tomava banho, estudava (sim, estudava... Cara responsável) e descansava...

Enfim, a rotina era de um adolescente sadio, que levava a vida “de boa”, “sem stress”...

Porém, apareceu uma garota fazendo aula de “localizada” lá naquele espaço, onde sua mente fluía, descansava, e não dava para ficar perdendo o foco.

Branquinha, conversava sempre com aquele sorrisinho, Tinha um ar meio... meio... sei lá, tipo arrogante... “Essa menina parece ser chata...”, pensava o garoto sempre quando a via.

E o tempo foi passando, e todas as tardes ele a avistava na sala de ginástica, enquanto pegava pesado na musculação.

Sexta feira era dia de educação física no colégio e o melhor de tudo: no ultimo horário. Aquela empolgação, afinal de contas era um futebol competitivo entre salas. E Bernardo era bom. Seu time empatando 1 x 1, faltando 5 minutos para acabar. Ele recebeu uma bola em sua área, mas algo tirou sua atenção. Era ela, “não é possível, estuda na minha escola?” e a ficou encarando. Ela estava passando num corredor ao lado das quadras com duas amigas quando o avistou e... Virou a cara...

- Gooooollll!!!

Um grito ecoou.

- Porra, Bernardo! Ta viajando aí? Perdemos por sua causa...

- É mesmo, sua bicha...

Aquilo ali ficou marcado. Perdera o jogo. Por quê? Por que aquela menina mexia tanto com ele?

- Bernardo...

- Sim, professor...

- O que foi, amigo?

- Não é nada, eu vacilei...

- Acontece, vá para o vestiário.

Depois daquilo, sua sexta feira era puro pensamento, até quando chegou a hora tão esperada.

- Bernardo, supino reto. Pode colocar 35 kg em cada lado... 3 séries de 10 intercalado com flexão, 3 séries de 15 ....

- Ok...

- 1, 2, 3, 4, 5...

Certo... Mudança de ficha, ótimo. Seu espírito estava renovado.  Então ele a viu, a tal “miragem” que o deixou numa enrascada na educação física. Para qual aula ela estava indo? Resolveu segui-la.

Ops, ela virou a direita. Sala de quê? Nunca viu qual aula era...

Ficou olhando pela janela da porta. Cheio de meninas. Começaram a fazer alongamento. O professor começou a falar algumas coisas só que não dava para escutar. De repente, começou a tocar... Axé? Como assim?

- Olá...

- Ah... oi.. tô só vendo...

- É, eu sei... posso passar? Você está na frente e...

- Claro... Nossa, perdão...

- Que isso, hehehe... Se quiser pode entrar, não precisa ficar com vergonha...

- Nãoooo, de maneira nenhuma... que isso...

- Unh... você que sabe...

E a garota entrou. A cara do garoto ficou toda vermelha de vergonha, e, para piorar, a menina que estava sendo espionada vira aquela cena toda, não só ela a turma de, mais ou menos, 15 mulheres...

- Oh rapaz! Ei... Pode entrar! Fique à vontade... Vamos dançar...

- Ahhh... não... não posso... tenho que... fazer minha ficha....

- Daqui a pouco você volta em!!! – Uma menina gritou e todas riram.

O professor era bem legal, mas, como o mundo é muito preconceituoso, Bernardo ficou com medo de ser julgado pelos colegas que frequentava a academia... “imagina se me vissem dançando, tchacabum?? Deus me livre...”

- Mas uma coisa que ficou gravada em sua memória naquela confusão, naquele descontrole de tanta vergonha era o rosto risonho da menina...

Foi o primeiro final de semana que o Bernardo ficou desejando a segunda feira. Mas a causa daquilo ele não queria confessar. Estava apaixonado.

Segunda, enfim, chegou. O garoto foi para aula desejando encontrar a garota, ficou observando o recreio, não conseguiu encontrá-la. Será que não era sua imaginação?

Foi para academia... Mesma coisa de sempre, fez sua musculação e... Ah... Era ela... Com cabelo solto, estava linda, indo em direção à sala da catástrofe anterior.

Então, automaticamente, ele a seguiu novamente. “Espera, o que você está fazendo?”, sua mente estava lutando contra seu sentimento. Então, no impulso, abriu a porta da sala.

- Olha! Quem apareceu!!! Garotas deem as boas vindas ao... Qual é o seu nome, amigo?

- Ah... Bernardo...

- Bernardo!

- Seja bem vindo! – ecoou o grito na sala...

- Bem eu... agradeço...

Algumas meninas olhavam com curiosidade, outras risonhas e outras com apenas um sorrisinho... Bernardo começou a gostar da ideia de ficar ali, afinal de contas poderia se dar bem.  Ficou ali no fundo da sala, tímido e nada de conversar com a menina. Foi então descobrindo que gostava de dançar, e descobriu também que a dança era um imã para se dar bem com as mulheres.

O seu sentimento pela menina foi sendo ofuscado pela sua timidez de chegar nela e dizer pelo menos um “oi”, mas não era tímido para conversar com as demais.

O tempo passou, meninas saiam, meninas entravam, e ele sendo o cara do axé. Sua fama se alastrou até para o seu colégio e logo vieram as piadinhas, os preconceitos, mas foi tirando de letra. Os amigos zoavam, mas passaram a perceber que quem estava certo era o Bernardo.


E a menina? Bem... Ano que vem eles se casam.  



Bruno Farnese. Relações Públicas, filho de Roberto e Kátia. Apreciador de carne e cerveja, odeia azeitona, perder no xadrez do avô ou na peteca da avó. Gosta de tentar escrever nas horas vagas. Reclamações e sugestões? Você pode segui-lo no Twitter @bfarnese ou no Facebook.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Saindo

Sentados no sofá da sala da casa dela:

- Amor...

- Diga.

- Tô afim de sair, vamos?

- Pra onde?

- Ah, sei lá... Você que sabe...

- Mas é você que quer sair...

- Nossa, desculpa, grosso... Pensei que você queria mudar a rotina.

- Amor, você que disse que quer sair.  Podemos ir, mas temos que ter um destino especifico...

- Mas eu não sei. Todas as vezes que a gente sai é você que escolhe o lugar.

- Isso é uma reclamação? Não estou te entendendo, você queira sair da rotina, agora você diz que todas as vezes sou eu que escolho o lugar. Não seria legal, então, você escolher?

-SACO! Não quero mais sair...

- Tá, uai... Estressadinha...

- Você que é chato, não pensa em mim...

- Ok, não vou discutir com você, não quero brigar...

- ótimo!

(15 minutos depois - assistindo TV no mesmo sofá)

- Jorge?

- Quê?

- Quê nada, fala direito comigo...

- Que foi?

- Se for assim não digo mais nada...

- Tá...

(20 minutos depois)

- Amor, to com fome...

- Quer que eu faça um misto pra gente?

- NOSSA SENHORA!! Nunca vi tanta insensibilidade, credo! Não me chama pra sair mais, não me faz surpresa mais, não temos mais jantares românticos...

- Desculpa te interromper, mas já tivemos jantares românticos, Vanessa?

- Quando a gente vai no Burguer King de noite só nós dois, com aquele clima romântico, É UM JANTAR ROMANTICO PARA MIM, tá???

- ...

- Por que você abaixou a cabeça e tá com os olhos fechados?

- HAHAHHAHAHAHAHHAHAHAHAHA

- Por que você está rindo? Disse alguma piada?

- Hahahaha! Ir ao Burguer King é jantar romântico, amor? Você tá brincando?

- Unh, insensível, o que importa é o momento, tá?

- Tá, quer saber? Mudando de assunto... To com fome, vamos para algum lugar?

- Tá, pra onde?

- Vamos a pizzaria nova que abriu aqui no bairro?

- Aquela da esquina? Vamos ué...

- Então vamos...


MORAL DA HISTÓRIA: De uma forma ou de outra, mulher sempre consegue o que quer... 



Bruno Farnese. Relações Públicas, filho de Roberto e Kátia. Apreciador de carne e cerveja, odeia azeitona, perder no xadrez do avô ou na peteca da avó. Gosta de tentar escrever nas horas vagas. Reclamações e sugestões? Você pode segui-lo no Twitter @bfarnese ou no Facebook.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

A Difícil Missão


Como um Brasileiro nato, Jorginho tem um time do coração. Sim, ele é fanático, daqueles torcedores que vai a todo canto acompanhando os jogos do clube.

Numa dessas andanças, aproveitou uma folga do serviço para enfrentar uma aventura e tanto e ver o Glorioso na Argentina. Você deve estar se perguntando “Por que aventura? Deve ter sido uma viagem qualquer”. Não, não foi. Até porque não foi de avião, na qual seria possível chegar cheiroso e indo direto para hotel e dormir confortavelmente. A viagem foi de ônibus, na raça. Foram 52 horas na ida e 62 horas na volta, devido a problemas no caminho, problemas no ônibus que estragou várias vezes, erros grotescos do motorista, paradas demoradas, enfim, vários momentos que se quisesse contar, daria um livro.

- Estamos parando? – perguntou para um amigo sentado ao lado.

- Estamos... De novo, acho que não chegaremos a tempo...

Todos desceram. Estavam em Coritiba já e todos naquela ansiedade para chegar à terra dos “hermanos”.

- Pessoal, vamos até o centro da cidade para arrumar um problema no ônibus. Daqui umas duas horas, mais ou menos, voltaremos para pegá-los.

Ninguém questionou e os olhares transmitiam revolta, mas ninguém queria ser o chato da viagem. Então, todos esperaram por seis horas.

- Olha! Até que enfim, esses chifrudos chegaram...

- Ótimo.

- Putz, não aguentava mais...

O ônibus estacionou, os motoristas saíram e explicaram que teriam que trocar de ônibus no Rio Grande do Sul para seguir viagem. Jorginho pensou, “poderia piorar?”. Ah se ele soubesse o que estava esperando...

Chegaram, então, numa cidadezinha para a troca dos ônibus. Eram 3 horas da manhã, todo mundo cansado, nervosos e com frio, estavam na casa dos 0°C. De repente, o que Jorginho tem mais receio nestas viagens aconteceu: a vontade de ir ao banheiro. E como ele iria dizer para um ônibus inteiro esperar para ele ir ali no posto cagar? Como ele poderia agir... Não tinha como pensar mais, foi no automatismo:

- Galera, segura a onda ai que preciso cagar...

Alguns riram, outros me zoavam, outros ficaram reclamando. Nem esperou a resposta, tinha certeza que não o deixariam ali, afinal de contas não é do feitio do torcedor deixar um irmão de guerra na mão. 

Foi caminhando com dificuldade, segurando com raça,quando apertava o passo deixava uma rastro no ar, complicando mais ainda a situação. Ele rezava, parecia uma eternidade para chegar até o caixa do posto para perguntar ainda se poderia usar o banheiro.

Quando chegou para perguntar, a sensação era como se fosse um forasteiro entrando em cidades de filme de “bang bang”: Ele entra no bar (aquelas famosas portas de abas que abre  tanto para fora quanto para dentro), o cara que estava secando o copo para te encarando (com o pano enfiado no mesmo), o cara que tocava piano também para, a turma que jogava poker esquece do jogo para ficar te observando...  

- Boa noite, será que eu poderia usar o banheiro?

O Senhor do caixa me respondeu seco e objetivo, com cara de mau.

- Segue em frente e vira à esquerda.

Jorginho foi tentando disfarçar o aperto que tava. Entrou no banheiro, a luz acendeu e ele logo pensou “ótimo, o cara foi receptivo...”. Entrou num Box apertado, forrou o vaso sanitário com papel higiênico, normal e pá.... “regassou”... Alívio, melhor coisa que tem, “obrigado, Deus...”.  

E ele lá, acabando a missão, e de repente a luz apaga. Puta que pariu! “O cara tá me trancando”..

- Ei! Moço!!! To aqui, não me tranca!

No automatismo saiu do Box para tentar algo, tudo escuro, como que ele iria fazer? Logo veio à cabeça aqueles filmes de serial killer, “Vou morrer, chegou meu fim...” 

Num pulo desesperado saiu e, adivinhem... a luz acende! E então, percebeu a burrice e descobriu que tinha sensor de presença no banheiro.


A sensação de alivio retornou. Jorginho voltou para o ônibus sendo zoado e xingado ao mesmo tempo, mas com a sensação de dever cumprido.



Bruno Farnese. Relações Públicas, filho de Roberto e Kátia. Apreciador de carne e cerveja, odeia azeitona, perder no xadrez do avô ou na peteca da avó. Gosta de tentar escrever nas horas vagas. Reclamações e sugestões? Você pode segui-lo no Twitter @bfarnese ou no Facebook.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Quem pegou?

Seria mais um feriado comum. Seria. Mas aconteceu aquela fatalidade... Quem poderia ter essa coragem toda? Quem poderia ter essa audácia?

- Quem que roubouuuuuu?????

Todos da casa olhavam espantados para ela, parecia um capeta em forma de mulher. Seus olhos estavam prestes a ficar vermelho sangue, latejando de ódio e suas mãos tremiam e 
suavam.

- Quem foi o Filho da égua que roubooouuuu???

- Roubou o que, minha filha? – perguntou a mãe, perplexa.

Sem dar ouvidos, ela começou a entrar em todos os cômodos, olhava guarda roupa por guarda roupa, criado por criado, prateleiras por prateleiras e...

-  Você tá procurando o quê? Posso saber?? Aqui é meu quart...

- FODAS!!! Vou procurar em tudo!!! Tem um ladrão aqui em casa e vou descobrir quem é o filho da égua!!!

Seu irmão mais velho já tinha visto ela nervosa, mas não assim...  Ficou tão assustado que cogitou levá-la para uma sessão de descarrego de igreja de crente. Ficou pensando o que poderia ter a deixado possessa daquela forma , só tinha uma explicação...

- Que tristeza! Que grito é esse! Pelo amorr de Deus! Vamos parar de gritar assim ,sua doida! – Exclamou seu pai, saindo do banheiro de toalha enrolada, ainda molhado, assustado com o que estava acontecendo .



- Doida??? Ainda você não viu nada... se eu descobrir quem foi, eu mato!!!

Realmente virou um mistério, o que seria aquilo que ela estava procurando? E quem foi que roubou a bendita coisa... Ninguém estava mais suportando as sessões de palavrões e gritos.

- Essa menina está precisando de um psiquiatra, mulher!

- Calma minha filha! O que está acontecendo? Me fala?

- Um viado pegou dentro do meu guarda roupa... – E parou a explicação para olhar embaixo da cama de seu irmão se achava o que queria.

- Diga filha! O que foi?

De repente, a campainha toca. Quem poderia ser? Visita nesta hora? Os pais já estavam pensando em trancar a filha amordaçada em seu quarto para não passar vergonha. Mas a visita gritou:

- Junia, é a sua mãe minha filha, abra a porta...

Alivio, era avó da menina nervosa,  Carmelita, uma senhora muito idosa mas muito forte. Lúcida de tudo com seus 95 anos, mora sozinha.

- Mamãe, acho que não é uma boa hora. A sua neta está naqueles dias e para piorar alguém roubou algo dela, tá com “trem ruim no corpo” .

- Uai, vim aqui avisá-la que, quando eu estava costurando lá no quarto dela ontem, precisei de um rolo de linha amarela. Fui procurar lá no guarda roupa e achei uma barra de chocolate de confeiteiro esquecida num cantinho, peguei para fazer cobertura do bolo que farei neste final de semana. Agradece ela para mim...

Mulher de TPM  e você furta chocolate dela, pode saber que é morte na certa... Como que Junia iria explicar para sua filha o que aconteceu?


- Entra, mamãe. Vou fazer um chá de camomila para a gente... Principalmente para sua neta...



Bruno Farnese. Relações Públicas, filho de Roberto e Kátia. Apreciador de carne e cerveja, odeia azeitona, perder no xadrez do avô ou na peteca da avó. Gosta de tentar escrever nas horas vagas. Reclamações e sugestões? Você pode segui-lo no Twitter @bfarnese ou no Facebook.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A guerra começou


Chega um momento da vida de um gordo na qual ele tem que pensar em sua saúde. Pois é, tava na hora de marcar endocrinologista.

Consulta às 15h de segunda feira, putz. Esqueci que segunda feira é o dia mundial do hospital / consultório lotado. Senha 22, visor marcando o 8. É, pensei “Deve ser a primeira etapa do emagrecimento, ficar esperando na sala de espera lotada...”

- Senhor, a doutora Jana atrasou... Por isso que está demorando, ok?

- Tudo bem, moça. Não tem outro jeito, né?

E a atendente com um crachá escrito Lidiana me deu um sorrisinho do tipo “Você está ferrado, seu obeso” e eu pensando “tomara que fica banguela, cretina”.

Passaram-se 1h e 14min...

- Próximo. Bruno de Oliveira.

Levantei feliz, agora sim, vamos lá ver como é que é essa consulta... Vou ficar magro em 2 meses.

- Boa tarde, Bruno. Como vai?

- Tudo bem, Dra, estamos aí né...

- Qual é o seu objetivo?

Não acredito que ela me perguntou isso. Tá na cara qual é o meu objetivo. Ou será que estou na especialidade errada e ela é otorrinolariongologista?

- Quero emagrecer né, Dra. Ver como é que estão meus exames... Até te mandei por e-mail, deve tá arquivado aí...

- Ah sim! Estou abrindo aqui, deixe-me ver...

Então passou a mexer no notebook, analisando o arquivo.

-Hum... Unh... Unh.... É..... certo, certo.... Pois é.... então... é..... – Ela dizia, fazendo careta. Logo pensei “Vou morrer, é a única explicação daquela expressão horrenda...”

- Bruno, meu filho... vamos lá. Vamos ter que melhorar sua situação com relação a colesterol, triglicérides, ácido úrico e mais estes outros fatores aqui.... Vamos lá, temos muito trabalho para fazer...

Logo percebi que a ideia de ficar magro em 2 meses era impossível. Parecia que me jogaram num chuveiro de água gelada e fiquei decepcionado. Eu seria uma bomba relógio? Estou morrendo mesmo?

- Bruno, você bebe?

-Socialmente...
- Como é isso? Uma latinha, 2...

- Ah, quando eu estou com o pessoal da pelada aos sábados, a gente bebe uns 2 a 3 engradados... Socialmente, descontração total...

Ela me olhou horrorizada.

- Bruno, isso é sério, com que freqüência que você bebe...

- Começo quarta feira porque meu time joga pela Libertadores. Quinta faço um happy hour só para espairecer as idéias. Sexta feira é normal né? Sábado tem pelada e domingo meu time joga de novo e na euforia da vitória a gente sempre bebe a saideira....

- Ok, entendi... E como é sua alimentação?

- Bem, trabalho o dia inteiro né? Aí você sabe, é complicado ficar fazendo muitas refeições... Mas eu como pouco no almoço, o problema é quando chego em casa, pois fico com muita fome... E saio muito com minha noiva...

Ah, tem isso também. Eu não aceitava a ideia de que namorar engordava, sou meio que São Tomé às vezes e só acredito, vendo. Pois é, eu vi, e ainda estou vendo, que merda...

- Sei... bebe leite?

- Bebo

- come muito pão?

- como uns 3 por dia (de manha, no final da tarde e de noite)

- É muito.

Pensei “o quê???Como assim??? Sou o cara que come menos pão lá em casa....”

- Vamos cortar o leite integral, só pode o desnatado, nem preciso dizer sobre açúcar – Já era, só adoçante. Carne branca de preferência e ao invés de doce, coma uma fruta Sobre a cerveja, você tem direito de 2 latinhas por semana, aliviando a sua barra hein?

Apenas pensei “ooooo, e como...”

- Tá tudo bem para você?

- Doutora, eu sei que é seu papel e tudo mais, to pagando a consulta e também to preocupado, mas vou ficar é doente mudando este hábito, não tem condições... Receita um veneno letal aí, já me mato que é melhor...

- Rrsrsrsrs... larga de ser bobo, Bruno... Vamos pesar. Tira a camisa e o sapato.

Pronto, agora é vou ser ridicularizado, humilhado...

- É. Tá 30 kg acima, Bruno. A sorte é que você tem um pouco de massa muscular, caso contrario era caso de obesidade mórbida.
Faltou a palavra certa para me deixar “deprê”. Será que chegarei a esse ponto? Era só o que me faltava... Já estava me sentindo um FreeWilly depois daquilo tudo... Só pensava que “essa consulta está piorando meu psicológico...”

- Sua dieta é essa aqui. E terá de fazer esporte 5 vezes por semana.

- Sim, Dra. Vou tentar..

- Isso já é bom ,Bruno. Você falar “vou tentar” já é um começo...

E Blá bla bla... Como pode ser assim? Engordar fácil demais e emagrecer tão difícil? Fico imaginando que para perder 500 calorias, eu teria que correr de 2 a 3 horas direto na esteira, mas para conseguir estes mesmos 500, basta ir no Mc donalds e pedir um hambúrguer simples, rsrsrs. Tem que rir para não chorar...

Mas enfim, estamos aí... Comecei minha guerra contra a balança e cada batalha é um dia de sacrifício. A conclusão dessa história irá depender da minha força de vontade.

Torçam por mim....

Podia ganhar o que ele ganhou né?



Bruno Farnese. Relações Públicas, filho de Roberto e Kátia. Apreciador de carne e cerveja, odeia azeitona, perder no xadrez do avô ou na peteca da avó. Gosta de tentar escrever nas horas vagas. Reclamações e sugestões? Você pode segui-lo no Twitter @bfarnese ou no Facebook.