Como um Brasileiro nato, Jorginho tem um time do
coração. Sim, ele é fanático, daqueles torcedores que vai a todo canto
acompanhando os jogos do clube.
Numa dessas andanças, aproveitou uma folga do
serviço para enfrentar uma aventura e tanto e ver o Glorioso na Argentina. Você
deve estar se perguntando “Por que aventura? Deve ter sido uma viagem qualquer”.
Não, não foi. Até porque não foi de avião, na qual seria possível chegar
cheiroso e indo direto para hotel e dormir confortavelmente. A viagem foi de
ônibus, na raça. Foram 52 horas na ida e 62 horas na volta, devido a problemas
no caminho, problemas no ônibus que estragou várias vezes, erros grotescos do
motorista, paradas demoradas, enfim, vários momentos que se quisesse contar,
daria um livro.
- Estamos parando? – perguntou para um amigo
sentado ao lado.
- Estamos... De novo, acho que não chegaremos a
tempo...
Todos desceram. Estavam em Coritiba já e todos
naquela ansiedade para chegar à terra dos “hermanos”.
- Pessoal, vamos até o centro da cidade para
arrumar um problema no ônibus. Daqui umas duas horas, mais ou menos, voltaremos
para pegá-los.
Ninguém questionou e os olhares transmitiam revolta,
mas ninguém queria ser o chato da viagem. Então, todos esperaram por seis
horas.
- Olha! Até que enfim, esses chifrudos chegaram...
- Ótimo.
- Putz, não aguentava mais...
O ônibus estacionou, os motoristas saíram e
explicaram que teriam que trocar de ônibus no Rio Grande do Sul para seguir
viagem. Jorginho pensou, “poderia piorar?”. Ah se ele soubesse o que estava
esperando...
Chegaram, então, numa cidadezinha para a troca dos
ônibus. Eram 3 horas da manhã, todo mundo cansado, nervosos e com frio, estavam
na casa dos 0°C .
De repente, o que Jorginho tem mais receio nestas viagens aconteceu: a vontade
de ir ao banheiro. E como ele iria dizer para um ônibus inteiro esperar para ele
ir ali no posto cagar? Como ele poderia agir... Não tinha como pensar mais, foi
no automatismo:
- Galera, segura a onda ai que preciso cagar...
Alguns riram, outros me zoavam, outros ficaram
reclamando. Nem esperou a resposta, tinha certeza que não o deixariam ali,
afinal de contas não é do feitio do torcedor deixar um irmão de guerra na
mão.
Foi caminhando com dificuldade, segurando com
raça,quando apertava o passo deixava uma rastro no ar, complicando mais ainda a
situação. Ele rezava, parecia uma eternidade para chegar até o caixa do posto
para perguntar ainda se poderia usar o banheiro.
- Boa noite, será que eu poderia usar o banheiro?
O Senhor do caixa me respondeu seco e objetivo, com
cara de mau.
- Segue em frente e vira à esquerda.
Jorginho foi tentando disfarçar o aperto que tava.
Entrou no banheiro, a luz acendeu e ele logo pensou “ótimo, o cara foi
receptivo...”. Entrou num Box apertado, forrou o vaso sanitário com papel
higiênico, normal e pá.... “regassou”... Alívio, melhor coisa que tem, “obrigado,
Deus...”.
E ele lá, acabando a missão, e de repente a luz
apaga. Puta que pariu! “O cara tá me trancando”..
- Ei! Moço!!! To aqui, não me tranca!
No automatismo saiu do Box para tentar algo, tudo
escuro, como que ele iria fazer? Logo veio à cabeça aqueles filmes de serial
killer, “Vou morrer, chegou meu fim...”
Num pulo desesperado saiu e, adivinhem... a luz
acende! E então, percebeu a burrice e descobriu que tinha sensor de presença no
banheiro.
A sensação de alivio retornou. Jorginho voltou para
o ônibus sendo zoado e xingado ao mesmo tempo, mas com a sensação de dever
cumprido.
Bruno Farnese. Relações Públicas, filho de Roberto e Kátia. Apreciador de carne e cerveja, odeia azeitona, perder no xadrez do avô ou na peteca da avó. Gosta de tentar escrever nas horas vagas. Reclamações e sugestões? Você pode segui-lo no Twitter @bfarnese ou no Facebook.


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