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terça-feira, 1 de setembro de 2015

Caderneta


Belo Horizonte, mês de junho de 1992. Duas horas da tarde.


Ali estava mais um dia, sob o olhar sanguinário do Tião, disciplinário do Colégio onde estudava. Vocês não sabem como era caminhar com a cabeça na mira do olhar dele. Com uma caneta na mão e um papel, ele dedurava pro diretor sem dó.

Estava sentado no corredor, em frente à sala do diretor sem saber o motivo de estar ali. Era bem constrangedor ser chamado para lá comparecer, por meio da caixa de som que ficava acima do quadro, ao lado do crucifixo na sala de aula.

Vinte minutos depois de aguardar, senti a morte tocar meu ombro. Um vento noroeste gelado surgiu e arrepiei do dedão do pé ao último fio de cabelo. Eu conhecia aquele sapato que saiu da sala dele. Só de ouvir o pigarro do homem que ameaçava sair de lá as lembranças apareciam. Apenas pelo barulho das chaves eu imaginava que eu estava muito encrencado: Meu pai.

Raríssimas vezes meu pai era chamado no colégio. Geralmente minha mãe era convocada para tratar de algum assunto relacionado à minha vida escolar. Mas meu pai, não. Saber que ele estava ali conversando com o diretor era como saber que iria para a forca.

Meu pai saiu, despediu do diretor, olhou para mim e não falou nada. Virou as costas e se dirigiu à saída do colégio. Sem olhar pra trás.

Minha reação foi apenas juntar as mãos. Abaixei a cabeça e rezei. Cheguei até  à metade do Pai-Nosso.

- Pode entrar.

- Tá.

- Senta aí e me explica o que é isso.

- Isso o quê?

- “Issaí” sobre a mesa.

Olhei e não entendia. Havia papéis, canetas, provas, um bloquinho de papel, figurinhas do Campeonato Brasileiro, uma Playboy.

- Desculpa, mas eu não se...

- O que é isso aqui?

Aí eu entendi.


3 MESES ANTES...


Umas das coisas que eu tinha mais preguiça na vida era arrumar material escolar, principalmente os velhos. E não tinha jeito. Começo do ano, eu tinha que mexer nos cadernos do ano anterior, geralmente para arrancar as folhas em branco e aproveitá-las para rascunho.

Até que um dia, enquanto organizava essas folhas de rascunho, comecei a assistir à novela que passava. E baseado no que eu vi, tive uma idéia. Ajeitei os papeis aqui, ali, cortei acima e pronto!

No outro dia, cheguei ao colégio e fui anotar um recado da professora. Até que uma menina da minha sala vira para a outra e grita:

- Olha! Ele tem a Caderneta do Jorge Tadeu.

E começou uma bagunça que só acalmou quando a professora ameaçou aumentar o dever. No intervalo, chegou um camarada.

- Deixa eu ver sua caderneta aí.

- Olha aqui.

Basicamente consistia em uma folha de papel de caderno, dividida igualmente em quatro pedaços. Devia ter umas 30 folhas no máximo, com um grampo de grampeador comum e uma fita crepe na lateral esquerda, formando uma “brochura” na caderneta. Na frente estava escrito diagonalmente – e com minha própria letra – Caderneta do Jorge Tadeu.

- Legal demais, cara. Quanto que você quer nela?

- Você quer comprar?

- Claro. Pago 10 mil cruzeiros reais (deve dar uns 4 reais)

- Opa! Fechado!

E assim eu vendi a caderneta.

Uns cinco minutos depois, aparece outro menino perguntando sobre a caderneta com 10 mil cruzeiros reais na mão.

- Cabei de vender.

- Mas amanhã você vai trazer?

Olhei para o lado e vi cifrões nos olhos do meu amigo Barata.

- Claro.

Eu tava na ostentação. Igual ao Jorge Tadeu mesmo.
No outro dia vendi quatro. No seguinte, seis. Na semana seguinte foram vinte duas. E assim sucessivamente.

Eu sei que em dois meses eu ostentava lanchando mini pizza e refrigerante no recreio e tomando Milk Shake após a aula. Eu não sei se é apenas fruto da minha imaginação, mas lembro de andar com terno risca de giz, óculos escuros e seguranças e participar de festas de famosos.



VOLTA PRA SALA DO DIRETOR


- E então. O que é isso?

- É a caderneta do Jorge Tadeu.

- Isso eu to lendo né? Mas o que significa isso?

- Ué, diretor, você não assiste a novela não? Jorge Tadeu é o cara tem um caso com metade das mulheres na novela. É o Fábio Júnior, que faz xixi numa árvore e as mulheres comem as flores dessa árvore quan...

- EU SEI QUEM É JORGE TADEU! EU QUERO SABER O QUE SIGNIFICA ISSO!

- Então. Todas as mulheres que ele tem um caso ele anota nessa caderneta. Aí o povo quer saber o que ele fal...

- GUILHERME! EU JÁ ENTENDI!

- Então.

- Você que fez esse treco aqui?

- Isso.

- E você tá vendendo isso?

- Bom, tô.

- Como que começou isso?

- Então, eu fiz uma pra mim, mas o Felipinho me ofereceu 10 mil pra ficar com ela. Aí o Julio falou que se eu fizesse outra ele comprava também. Aí depois foi o Renato, o Patrick, o Rafael, o Thiag..

- Entendi já. E você ganhou 10 mil em cada?

- Não. Só as primeiras. Depois aumentei pra 12 mil porque aumentei a fita crepe nas beiradas né?

- Ah é mesmo?

- É. Você quer uma?

- CLARO QUE NÃO!

- Ah...

- Eu quero que você pare com isso.

- Por quê?

- Porque sim. O pai do Fernando veio aqui ontem reclamar que o filho chegou em casa com fome. Ele estranhou, já que tinha dado dinheiro pra ele lanchar. E quando perguntou pro Fernando, ele disse que tinha gastado o dinheiro comprando a Caderneta do Jorge Tadeu no colégio. Ele pediu pra ver e viu isso que você fez.

- Será que o pai dele quer?

- NÃO, GUILHERME!!! ELE NÃO QUER!!!! Ele quer que o colégio tome providências e proíba

- Ah...

- Chamei seu pai aqui e ele disse que não sabia de nada, mas me garantiu que isso não vai acontecer mais. Então eu estou te comunicando que isso é proibido no colégio...

- Mas...

- ... e se isso voltar a ocorrer eu vou chamar seu pai de novo e comunicá-lo da sua suspensão.

- Mas...

- Estamos entendidos?

- Mas eu ainda tenho umas cinco cadernetas lá.

- Não quero saber. “Cabou” essas vendas aqui.Vou falar pro Tião pra ficar de olho em você.

- Tá bom.

- Pode voltar pra sua sala.

Saí da sala do diretor me sentindo o cara mais pobre do mundo. Fecharam meu negócio e nem na clandestinidade iria atuar.

Cheguei em casa e imaginei que iria sofrer a pena restritiva de liberdade. Presumi um castigo de meses e umas chineladas.

Mas estava enganado. Meu pai contou pra minha mãe e ambos riram. Depois me chamaram e disseram que era pra parar com as vendas e estudar. E me confiscaram as cadernetas e as folhas que eu usava.

E sem castigo.

Quanto ao dinheiro, minha mãe pediu e disse que ia depositar na minha caderneta de poupança para eu ter um dinheiro guardado.

Ironicamente, o que ganhei na venda das cadernetas do Jorge Tadeu foi para a caderneta de Poupança e me garantiria uma aposentadoria tranqüila.


Pena que o presidente do país era o Collor.


Resumo de quem era Jorge Tadeu e da novela AQUI



Guilherme Cunha. Ex-advogado. Futuro escritor. É apenas mais um trabaiadô,doutô. Mais um nerd gordo que acha que é blogueiro. Apreciador de boa cerveja, boa música, boa conversa e de paciência Spider. Melhor jogador de War com as peças verdes. Siga-o no twitter: @guijermoacunha

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Natal



Não tinha jeito. Paulo adorava o Natal.

Tudo porque na família dele era uma farra. E ele sempre ganhava dezenas de presentes. Era da mãe, do padrasto, do pai, da madrasta, dos irmãos mais velhos, dos tios e tias maternos e paternos, da madrinha e do padrinho. E claro, dos avós.

A família do pai era bem característica, dessas que se veem em novelas e livros. O avô paterno era uma figura. Tinha os cabelos brancos, óculos com lente redonda na ponta do nariz e usava suspensórios (mesmo em casa, mesmo sem camisa) e um chinelo bem característico de uma pessoa idosa. Amável e compreensivo, sempre tinha uma história pra contar e um doce escondido para “estragar” o neto.

Já a avó paterna era uma cozinheira de mão cheia, e costureira à moda antiga. Sempre de vestido estampado, com pequenas flores e um avental. Diariamente perdia os óculos pela casa, mas sabia exatamente onde estava tudo o que todos precisavam. Também era amável, e nunca deixou de dar o que os netos pediam pra comer.

Para Paulo, o Natal fazia sentido quando almoçava todo 25 de dezembro e abria um monte de presentes. Até que seu avô chamou.

Inicialmente não queria, mas Paulo foi.

- Paulinho, você não acha que tem muito brinquedo não?

- Não, vô!

- Você tem que ajudar as pessoas. Há criança no mundo que não tem nenhum brinquedo. Olha quantos ganhou nesses anos e olha quantos ganhou hoje. Tem que desfazer de algum.

- Mas vô, eu gosto de todos. E nenhum tá estragado ou quebrado.

- Mais um motivo pra dar algum pros outros. Você gostaria de ganhar algum brinquedo quebrado ou estragado? Um boneco faltando braço? Claro que não né?

- Claro que não né, vô!

- Pois é. Sabe a Lurdinha que trabalha aqui em casa? Então, Marquinhos, o filho dela, não ganhou presente nenhum. Que tal você dar algum pra ele?

Paulo olhou pra criança sentada no fundo do lote do avô e começou a pensar. A Lurdinha não tinha família na cidade e o pai de Marquinhos sumiu no mundo. Era sempre convidada pra passar o natal lá e sempre ficava em um cantinho, junto com o filho.

- Ah vô, mas eu gostei de tudo.

- Eu sei que gostou. Ajudar as pessoas faz bem. Acredite em mim.

Então Paulo olhou em volta. E teve uma ideia.

Na verdade, se lembrou que na noite do dia 24 de dezembro, o Natal era na família da mãe com os avós. E o problema era justamente eles. 

Sua avó materna era uma pessoa humilde, de vida simples e sem muitos luxos. Mesmo assim era amável como poucas. Não tinha quase nada, mas oferecia tudo que podia e sempre dava um presentinho pro neto. Dessa vez, ela mesmo fez um balanço de árvore.

Mas o avô era mais problemático. Era mais rabugento, mais amargo, mas ainda assim carinhoso com o neto. Cabelos e barba brancos, magro toda vida, com marcas do tempo que assustavam as crianças mais novas. Mas não ligava. Não era muito de papo, sempre muito sério, e ainda tinha um problema na perna direita. O mais engraçado é que nunca reclamava de nada e sempre dizia que “não tinha problema na perna direita. A esquerda é que era abençoada”.

O problema é que o avô estava doente, não saía da cama e tinha perda de memória. Às vezes, perguntava duas, três vezes a mesma coisa e as pessoas em volta se irritavam com facilidade.

Nesse natal, foi visitar o avô e ele lhe chamou no canto.

- Oi Guri! Tá vendo aquele pacotinho verde ali em cima da poltrona? Pode pegar, é seu presente de natal.

- Brigado vô!

- Espero que sirva.

Um frio na espinha apareceu no garoto. Era roupa.

Abriu o pacote e constatou. Uma bermuda preta e uma camisa branca. Nem retirou a roupa do embrulho, apenas abriu e viu o que era. E claro, não podia deixar de agradecer o avô.

- Brigado vô!

- De nada.

- E a perna?

- Qual delas?

- A que o senhor tem problema.

- Já disse. Não tenho problema na perna direita. A es...

- A esquerda que é abençoada. Eu sei. Ó vô! Vou lá comer. Brigadão! Tchau!

Nem um abraço ou beijo no avô. Apenas isso: “Brigadão”.


Paulo então pensou, "o melhor era dar a roupa que ganhou do avô materno pro Marquinhos." Assim, ficava livre da roupa, fazia uma criança com um presente e o avô paterno felizes.

- Marquinhos. Toma! Pra você!

- Brigado Paulo.

- Espero que sirva.

E sob a aprovação, e o sorriso, do avô paterno foi brincar com seus brinquedos novos. Lurdinha também era só alegria, enquanto Marquinhos tirava  a roupa do embrulho e viu que um pião caiu.

- Paulinho, caiu aqui ó! É seu!

- Pode ficar. Não quero.

- Obrigado.

Enquanto Marquinhos era só sorrisos com o pião, Lurdinha foi guardar a roupa na mochila do filho. Dias depois, descobriram que havia cem reais escondidos no bolso esquerdo da bermuda e um bilhete.

“Dei essa bermuda de presente para meu neto e, provavelmente, ele deu de presente pra outra pessoa, sem nem experimentar a roupa ou descobrir o pião no bolso direito, pois só quer saber de brinquedos. Se você ganhou essa bermuda dele, fique com o dinheiro. Feliz Natal”

Lurdinha apenas pensou. Realmente, ele tinha a perna esquerda abençoada.


Guilherme Cunha. Ex-advogado. Futuro escritor. É apenas mais um trabaiadô,doutô. Mais um nerd gordo que acha que é blogueiro. Apreciador de boa cerveja, boa música, boa conversa e de paciência Spider. Melhor jogador de War com as peças verdes. Siga-o no twitter: @guijermoacunha

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Ask #1

É, eu sei que eu to sumido e que esse espaço aqui está jogado às traças.

Na verdade, eu tirei férias e viajei pra Colômbia. Depois voltei, trabalhei e, por incrível que pareça, nada deu errado.

Aliás, pelo contrário: Muita coisa deu certo! J Inclusive tenho novidades que direi aqui em breve.

E hoje, quando estava me deslocando para o trabalho, me recordei de um espaço que eu utilizava e que atende pelo nome de ASKFM.

Para quem não sabe, trata-se de um espaço em que as pessoas fazem perguntas a esmo e quem quiser pode responder. Ou você pode fazer perguntas para alguém específico.

E eu, com algum tempo disponível, respondia as perguntas que me eram feitas ou alguma pergunta geral que aparecia na minha seção de perguntas.

Por isso, para tirar o pó desse espaço, resolvi compartilhar com vocês algumas perguntas que eu respondi lá, há 11 meses atrás (Se for do desejo de vocês, podem perguntar lá também)  


Você prefere livros ou filmes?
Eu acho que eu prefiro livros, até mesmo porque eu tenho um blog e gosto de escrever as bobagens que vem a minha cabeça. Mas também sei que dá preguiça, às vezes, pegar um livro de trocentas páginas para ler - às vezes porque você vê que o livro está na lista dos 10 livros mais vendidos na Revista Veja e quer poder falar sobre ele numa mesa de bar - quando estamos sem tempo e temos que nos dedicar também ao Twitter, Facebook, ask.fm, Instagram, o Félix engraçadíssimo na novela e as cervejas com amigos de colégio, faculdade, serviço, namorada ou a própria família.
Outra dúvida que eu acho que bate é porque sabemos que se o livro for bom possivelmente ele vai virar filme, o que já facilita as coisas pra quem tem preguiça como eu. Se for um livro estrangeiro, torça para fazer sucesso porque provavelmente ele vai virar filme de Hollywood. (só torça para não colocarem o Nicolas Cage ou o Ryan Reynolds para fazer o personagem principal). Se for um livro nacional, torça para que o Fábio Porchat ou o Selton Melo tenham acesso a este livro porque se um dos dois lerem, a chance de virar filme crescem 150% e aí é só esperar dois anos que você vê o filme na Globo.
No mais, acho que essa dúvida bate na cabeça de todo mundo. eu fico com os livros

Qual foi seu maior sucesso?
Sucesso mesmo, com S maiúsculo, daqueles que você vai contar pros filhos e pros netos, acho que foi uma menina da faculdade que era disputada por todo mundo mas acabou ficando comigo. Não sei se foi por pena, porque ela tinha miopia alta e estava sem lentes de contato ou porque estava pagando alguma promessa mirabolante. Só sei que ela me beijou e tem uma foto dela comigo que estará do lado da minha definição de posteridade.
Mas sucesso na concepção de que as pessoas te reconheçam na rua, acho que foi quando dei um entrevista meio bebado e chorando depois que o time para qual eu torço subiu da Segunda Divisão e a turma da faculdade não perdoou. Saiu na capa do GloboEsporte.com na época e foi bem comentada no bairro onde moro e na faculdade onde estudava.
Sucesso no sentido de arrancar lágrimas de emoção da mãe e aquele pigarro de quem está com voz embargada do pai, acho que foi quando eles me viram namorando pela primeira vez com uma menina que não tinha nenhum tipo de deformidade ou quando eles me viram formando. Saber que o filho consegue namorar alguém normal e que conseguiu formar na faculdade dá um orgulho danado né. Ah, e teve uma vez que tive um artigo publicado, com noite de autógrafo e tudo, que eu acho que minha mãe achou que em três anos eu moraria em New York, de frente pro Central Park, como se fosse num seriado de Friends. Meu pai não gostou tanto desse dia porque não consegui a liberação do estacionamento e ele teve que pagar quase 40 reais por 4 horas, mas no fundo, ele também achou que eu faria sucesso na vida.
E por fim, aquele sucesso que você faz a dancinha da vitória escondido no quarto e morreria de vergonha de alguém descobrisse, acho que seria quando eu vi que um texto que eu escrevi no meu blog teve mais de 20 acessos e gerou dois elogios nos comentários. Nesse dia achei que em questão de tempo estaria indicado na academia brasileira de letras, mas foi só o texto seguinte dar 10 acessos que eu eu retornei a minha insignificância.
Sucesso pra vc.

Como deixar uma garota feliz?
Olha, eu acho que é mais fácil você saber como ficar rico em 8 dias do que ter uma resposta certa pra essa pergunta aí.
Tudo bem que meu sucesso com as mulheres equivale ao sucesso do Chandler do Friends, que em 10 temporadas beijou 4 mulheres. Proporcionalmente falando, acho que em 30 anos de vida, devo ter beijado umas 10 mulheres apenas. Por isso, se você estiver procurando uma pessoa para dar palestras e com respostas com 100% de sucesso, com certeza esse cara não sou eu.
Por outro lado, acho que não deve ter muito mistério não. Em 100% dos filmes de amor que eu vi nessa vida, a resposta para essa pergunta é: Faça ela se sentir especial e seja você mesmo.
Eu fico meio constrangido de dar essa resposta pq eu sou meio gordo, nem alto nem baixo, com cabelos brancos aos 30 anos de idade e trabalho na prefeitura da cidade onde moro, portanto, se eu for eu mesmo o tempo todo a minha chance de fazer uma garota feliz é a mesma do Sílvio Santos aparecer pelado gritando Quem quer dinheiro no meio do Big Brother Brasil. Mas você tem que fazer a garota se sentir especial. Não minta pra ela. Claro que você sempre vai dizer que ela está linda quando ela perguntar se está gorda. Não é sobre isso que eu tô falando. O cabelo sempre vai estar lindo e ela sempre está perfeita, mesmo que pareça com a Elza Soares gripada e com depressão há 3 dias sem dormir e tomar banho.
Mas você tem que ser sincero. Se você está feliz e gosta dela, é só ficar ao lado dela quando ela precisar, oferecer o ombro pra quando ela chorar e tentar fazê-la sorrir quando estiver triste. Leve uma rosa de vez em quando, pague uma conta de vez em quando também e aceite assistir aqueles filmes que aumentam a glicose da gente de tanto água com açúcar quando ela pedir, mesmo que na sala ao lado passe Comando para Matar 4 ou Homem Aranha (qualquer um, sou fã). Para deixar a garota feliz é só seguir a música do Roberto Carlos "Esse cara sou Eu" sem aquelas demonstrações de cara psicótico que pega pelo braço e liga pra ela de madrugada só pra dizer te amo. 
Ah, outra coisa é não cair nessa baboseira de falar que garotas gostam de dinheiro. Todos nós gostamos. Mas a garota pra ser feliz só precisa se sentir especial e bonita. Ou de uma trilogia do Crepúsculo.


Qual a coisa mais importante que você aprendeu na vida?
Atualmente, a desconectar das redes sociais quando saio do computador do serviço e não emprestar o celular para pessoas que fiquem, no máximo, 10 metros longe de mim, pois as consequências são catastróficas.
Agora, pensando na vida, assim, de forma geral, igual o Daniel canta na abertura da novela das 21h - VIDA, VIDA, VIDAAAAA - acho que a coisa mais importante que aprendi foi a não levar nada tão sério na vida.
Tudo bem que sou uma pessoa de 30 anos de idade que pode estar tentando dar lição de moral nas pessoas, em pé, com camisa social e um suéter xadrez por cima, enquanto ajeito os óculos sobre o nariz e aponta o dedo indicador direito - sou destro - para a sua cara e dizendo: "vida, deixa eu te falar algo sobre o que aprendi na vida". Mas não é essa a mensagem que quero passar.
Quero dizer que todos tem problemas. TODOS. Nunca há um momento de felicidade plena - Só quando você pede a conta do restaurante e o sogro diz que já está pago - em que você está 100% por cento feliz. Em um momento da vida, seu chefe vai te chamar a atenção, sua mãe vai dizer que você está gordo, seu pai vai falar que tá na hora de criar vergonha na cara e você vai ver que sua conta bancária está mais vermelha do que mineiro em praia. Mas todos passamos por problemas...
Um dia desse li num livro que você sabe que está bem quando você sabe que tem um problema e sabe que tem que enfrentá-lo. Claro que não estamos falando aqui num problema tipo cair na jaula de um leão pois vc saber que tem que enfrentá-lo não é necessariamente estar bem... Mas acho que a mensagem é que problemas acontecem com todos e temos que saber passar por isso... 
Nesses míseros 30 anos de vida, tento a levar a vida na esportiva, tentando achar um lado engraçado de tudo que acontece comigo, mesmo em dias como em que eu estava indo pra um entrevista de emprego de salário de 5 mil reais e no quarteirão do prédio um onibus passou numa poça d'agua e me deixou completamente molhado. É saber chegar rindo pra entrevista e contar esse caso pro entrevistador...

Quando você deixará de ser jovem?
Se você assiste Chaves, sabe que se você é jovem ainda, jovem ainda, jovem ainda, amanhã velho será, velho será, velho será...
Mas não sei exatamente. Se essa pergunta for pra ser respondida com base na minha humilde pessoa, deixei de ser jovem em 1999 quando bebi 14 caipirinhas numa festa e tive que limpar o vômito no dia seguinte, porque minha mãe disse que se eu era homem pra beber, deveria ser homem pra limpar. Acho que nesse dia eu virei um adulto pq sai na rua de ressaca e comprei material de limpeza com meu dinheiro e tive que fazer a limpeza sozinho. Me deu aquela sensação de dever cumprido, sabe...
Bom, mas eu acho que ninguém nunca deixa de ser jovem se não deixa se abater pelas coisas que a vida traz pra gente. Você vai ver pessoas de 60 anos que fazem tatuagem, vão para baladas, viajam de bate e volta pros lugares e que acham que tem 20 e poucos anos. Como não dizer que essa pessoa tem espirito jovem? Por outro lado, você vai ver pessoas de 30 anos que não saem para baladas, gostam de ficar em casa e ver novelas, tem preguiça de levar o prato para a pia depois do almoço, respondem "Bacana", "Xuxu beleza", só escutam música dos anos 60 e 70 e que são capazes de dizer o preço do sabão em pó, do Pinho Sol, do Papel Higiênico e do biscoito Maizena em cinco supermercados diferentes, mas não é capaz de dizer onde fica a boate mais próxima ou quem é Annita. Vai dizer que essa pessoa não é velha? (Cuidado com a resposta, falei sobre minha vida pessoal nas últimas 5 linhas).
Acho que afirmar quando deixará de ser jovem é tão possível quanto dizer qual a real idade do Sílvio Santos. Só depois que morrer - e um teste com Carbono 14 - é que vai poder falar quando aquela pessoa deixou de ser jovem.

Se você pudesse voltar no tempo para falar com você mesmo, o que diria?
Me fiz essa pergunta alguns dias atrás, sabia? até falei sobre no twitter... Bom, eu acho que falaria um monte de coisas... Por exemplo, se voltasse a minha infância, acho que diria pra mim mesmo que eu devia aproveitar cada minuto na escola, nos campos de pelada em que jogava de lateral esquerdo mesmo sendo destro e falaria que eu estava certo quando achar o Seya do Cavaleiros do Zodíaco um bosta e que sim, eu iria ver meu time ser campeão antes de eu morrer.
Se voltasse na minha adolescência, diria que realmente eu não ia usar o que aprendi em física, quimica, biologia, como calcular áreas em figuras geométricas ou logaritmos na minha vida. Diria que sim, aquela menina realmente queria me beijar e eu fui só um frouxo que não tive coragem de beijá-la naquela festa. Além disso diria que aquelas amizades que achei que me acompanhariam para sempre não durariam mais três anos sequer. E que eu podia acreditar que aquele Godzilla não foi o pior filme que vi na vida. Taí Crepúsculo que não me deixa mentir... Acho que diria também que não tinha problema em ler Harry Potter, Senhor dos Anéis e aqueles livros que as meninas riam da minha cara porque os óculos insistiam em escorregar pela ponta do nariz e toda hora tinha que desviar de espinhas espalhadas pelo meu rosto para ajustar os óculos e que isso ia me ajudar muito na vida. (Menos pra pegar mulher... apesar que eu já sabia disso na época).
Se eu voltasse para o começo da minha juventude, diria pra mim que o fato de eu tirar carteira não faria eu pegar mais mulher na vida, só faria eu levar minha avó ao supermercado mais vezes e levar e buscar meus irmãos mais novos em festas enquanto meus pais dormiam. Ou transavam, sei lá. Diria que eu comprar um carro também não faria pegar mais mulher na vida, só iria aumentar meus gastos com impostos, manutenção e dinheiro para flanelinhas.. Aliás, diria que nada na vida não me faria pegar mais mulher... Para alcançar isso era só acreditar mais em mim e ter mais coragem.. Mas acho que só irei praticar isso quando tiver uns 40 anos...
Diria que sim, Beatles continua sendo a melhor banda que já apareceu nesse planeta, que ninguém é melhor que o Romário dentro da área, que eu ainda iria rir de Friends, Chaves e que realmente comer muito engorda. Enfim, diria muito coisa. Mas acho que não faria diferença para pessoa que sou hoje.



Guilherme Cunha. Ex-advogado. Futuro escritor. É apenas mais um trabaiadô,doutô. Mais um nerd gordo que acha que é blogueiro. Apreciador de boa cerveja, boa música, boa conversa e de paciência Spider. Melhor jogador de War com as peças verdes. Siga-o no twitter: @guijermoacunha

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Indiana Jones e o Pote Sagrado


Às vezes precisamos apenas de um empurrãozinho pra fazer algumas coisas.

Quando recebi, em uma pausa no trabalho, um email chamado “Caça ao Tesouro”, tive a certeza de que isso é verdade.

Assim que li a palavra “Tesouro”, meus olhos brilharam. Imediatamente quis colocar meu chapéu, minha jaqueta de couro, pegar o chicote e o embornal e sair em busca de um tesouro perdido.

Porém, ao descobrir qual era o objeto a ser encontrado, meu ímpeto arqueológico diminuiu. Era um artefato do qual ninguém tinha notícias e que poucas pessoas vivas já haviam visto ao vivo e em cores. 

Fui embora pra minha casa acreditando que era impossível caçar o tal tesouro. Pelo celular, até tentei achar alguma coisa na internet, mas sem sucesso.

Porém, pouco tempo depois, ao acessar uma rede social, em um tweet despretensioso, recebi uma foto recente do que procurava. E o melhor, em um lugar que não havia pensado.

Por mais que soubesse que era algo desaparecido, era muita coincidência.

Abri a geladeira e tentei achar algo pra comer, só pensando em como seria bom se obtivesse sucesso e achasse o tesouro prometido. E ali, em meio a mexericas e fatias de abacaxi, resolvi tentar no dia seguinte. Adormeci pensando na busca.

Resolvi porque o desafio era grande e porque traria satisfação pessoal. Não ficaria rico, não me traria fama, nem mulheres. Apenas realização.

Me senti como o Indiana Jones no Reino da Caveira de Cristal, que com idade superior às suas mais famosas aventuras, apareceu novamente.

Depois do tesouro do Colégio e da Pedra da Batcaverna Perdida, era hora de agir novamente.

Abri o email, peguei os detalhes, anotei o tweet despretensioso, cruzei as informações e tracei a rota.

Fui conferir primeiro o tweet.

Na hora do almoço fui até o endereço. Fechado.

Tudo bem, fui para o estágio 2 da rota. Nada.

Como eu sei que esses obstáculos aparecem, fui para o 3. Nada também, assim como o 4 e o 5.

E tive que voltar ao trabalho. Risquei do Mapa o caminho que havia feito e percebi que andei em círculos, sem atentar para alguns pequenos detalhes e que poderia ter feito outras rodas e opções. E percebi como estava enferrujado.

No segundo dia, resolvi começar pelo fim do caminho indicado e, novamente, a frustração. Mas a vantagem foi que lá encontrei com uma senhora, quase uma anciã-oráculo que, junto com uma jovem padawan (possivelmente avó e neta) disse que tinham notícias do Norte indicando que no alto de uma-montanha-onde-o-vento-sopra-e-o-dinheiro-brota havia o que eu procurava.

Com a informação obtida, era hora de traçar nova estratégia e voltei ao trabalho.

No fim da tarde, ao ir embora e fechar a janela da minha sala, a ficha caiu e eu não acreditei na minha cegueira.

Trabalho em um lugar onde venta demais, as pessoas que moram por aqui têm dinheiro e há um lugar que desprezei por motivos óbvios: Mercado do Cruzeiro.

Saí correndo e com tanta ansiedade que nem coloquei fones de ouvido. Nem acreditava que estava aqui, ao meu lado, o tempo todo.

Entrei no mercado suando frio, percorrendo os corredores meio desnorteado, passando por açougues, bancas de frutas, peixes, sorveterias e lojas de bebidas. Até que vi uma mercearia.

Olhei para as prateleiras como um viciado procurando sua dose diária e eu achei. Estava ali, esquecido, empoeirado, largado em num canto, atrás de um pote de doce de leite e de uma lata de pêssegos em calda.

O motivo de buscas. Pessoas devem ter morrido na procura por aquele pote. Guerras quase ocorreram. Reinados foram ameçados. Era o Graal. O tesouro. O objeto desejado.


Tirei o dinheiro do bolso, paguei, embrulhei aquele pote em um pano e coloquei na mochila.

Fui para casa, abraçando minha mochila como se carregasse 1 milhão de reais em barra de ouro (que valem mais do que dinheiro), demonstrando claramente que eu estava com medo de que me roubassem algo.

Peguei um ônibus e depois o metrô. Pessoas me olhavam e o medo de ser roubado até chegar em casa só aumentava. Quando desci do metrô, olhei em volta com medo de ser seguido e apressei o passo.

Mas já era tarde.

Quando estava atravessando o pontilhão que liga a Estação do Calafate e o Padre Eustáquio, vi que haviam pessoas atrás de mim e do outro lado da ponte.

Resolvi que era hora de trazer o fator surpresa.

- Eu estou com um pote de Paçoquita nessa mochila. Se não me deixarem passar, eu vou soltar!!!

Mas não adiantou.

Eles vieram pra cima de mim. Com medo, comecei a correr e quando estavam quase me alcançando, a mochila se soltou da minha mão e a Paçoquita caiu no Rio Arrudas. E eu também caí. 

Caí da cama e acordei no chão do meu quarto, com a cara no sapato e vi que tudo não tinha passado de um sonho.

E então eu ri. Claro que só podia ser um sonho. 

Só em sonho eu conseguiria fazer aquilo tudo em horário de almoço, correr sem fones de ouvido e pegar metrô em Belo Horizonte. E o principal: Até parece que eu ia conseguir achar essa Paçoquita assim.

Mas por via das dúvidas, vou passar no Mercado aqui perto hoje depois do expediente.


Vai que eu acho né?



Guilherme Cunha. Ex-advogado. Futuro escritor. É apenas mais um trabaiadô,doutô. Mais um nerd gordo que acha que é blogueiro. Apreciador de boa cerveja, boa música, boa conversa e de paciência Spider. Melhor jogador de War com as peças verdes. Siga-o no twitter: @guijermoacunha

terça-feira, 5 de agosto de 2014

A Usurpadora


Nunca escondi de ninguém - amigos, familiares, redes sociais, bêbados companheiros de balcão de bar ou estranhos na rua – a minha relação com a TIM.

É um relacionamento promíscuo (eu sei) de amor, ódio, términos e recomeços que talvez originassem uma novela da Globo. Tem de tudo: O mocinho (Eu), o relacionamento que vai e volta (TIM), a outra ponta do triangulo amoroso (VIVO), um passado misterioso e sem muitas explicações (Oi), um núcleo divertido e que não altera em nada o enredo (SAC), e a direção que não interfere muito e sem poder (ANATEL).

Só falta descobrir quem é o autor.

E eu gostaria muito de saber quem escreve para cobrar uma mudança nos rumos dessa história, que já tem mais capítulos que Malhação e tá na hora de atingir o “felizes para sempre”.

Para vocês entenderem (se quiserem né, lógico), meu primeiro celular foi da MAXITEL, lá no tempo cenozóico da telefonia móvel.

Na primeira fase dessa novela, eu era um jovem determinado, de família humilde, que num dia qualquer se apaixonou a primeira vista. Assim que vi aquele Nokia 5120 na vitrine, pensei em como resolver aquela situação financeira que nos separava.

Porém, num golpe do destino, ganhei um dinheiro inesperado, consegui me aproximar e rolou a primeira vez. Como todo jovem, achava que era um relacionamento sério, para sempre, e tudo corria bem.

Até que apareceu outra. Numa tarde de sol, vivenciando aquele relacionamento, uma propaganda da Oi dizia que eu poderia falar de graça nos fins de semana com outro Oi por 31 ANOS. Aquilo era uma tentação muito grande, melhor do que o filme do Pelé, numa época em que se pesquisava quanto as operadoras cobravam para falar por minuto (algo em torno de R$1,99).

E como todo jovem, caí na tentação. Com uma excelente roupagem (as caixas da Oi eram bacanas demais), larguei o meu 5120 da Maxitel para cair nos braços da Oi, com um C45 da Siemens.

Anos se passaram. Por um lado, vivia um relacionamento de mentira com a Oi. Uma relação de fachada, já que o sinal não pegava em todos os lugares e uma moça mineira linda sorria para mim. Seu nome era Telemig Celular e era frequentemente vista nos ambientes que eu freqüentava e que a Oi não ia comigo.

Para piorar, comecei a trabalhar nos negócios da família. Comecei a advogar pra a Oi e isso me afastava ainda mais da relação. Várias brigas internas, problemas constantes em filiais... E cada dia mais a Oi se afastava de mim e eu me afastava dela. Porém, nesse período, fiz amizades lá e isso amenizava a nossa relação. Até o dia em que a máscara da Oi caiu e vi meus amigos que lá trabalhavam serem demitidos. Ali percebi que aquela relação não teria futuro.

Para piorar, a Telemig Celular começou a se tornar mais presente. Resolvi trair a Oi e caí nos braços da outra, me livrando definitivamente de toda aquela relação de fachada. Parei de advogar pra Oi e fui trabalhar com amigos que havia feito lá, numa empresa de outro segmento. Além de assumir com a Telemig por meio de um Samsung que possuía até TV.

Pausa para abertura da Novela

Mais alguns anos se passaram. Meu relacionamento com a Telemig ia bem, ela havia crescido e virado VIVO, mas o destino, novamente, resolveu agir.

Descobri que a Maxitel havia se casado com a TIM, gerando uma filha, TIM Brasil S/A. Uma jovem linda, que me fez recordar da juventude e de tempos felizes.

E foi essa tentação que me tirou do fundo do poço. Com a VIVO, vivia uma relação mais honesta e sincera do que tinha vivido com a Oi, mas não havia sentimento ali.

Estava sem emprego e, novamente, amigos que fiz quando advogava pra Oi me ofereceram emprego como advogado da TIM. Sabia que era arriscado, mas precisava de dinheiro e resolvi aceitar.

No fundo, meu "sentido de aranha" alertava que trabalhar para TIM e me relacionar com a VIVO não daria certo. Era questão de tempo. 

Pessoas que trabalhavam para a TIM me cobravam uma relação mais próxima. E a cada dia mais me interessava, apesar de ver os problemas de perto. Acho que quando estamos nos apaixonando não percebemos os erros e defeitos do outro, né?

Pra piorar, a VIVO começou a me causar problemas. Talvez ela estivesse sentindo que meu lance com a TIM era coisa antiga, mal resolvida, que precisava de um momento de soluções.

Acho que até a TIM percebia isso também. E nos envolvemos novamente. Junto com um Nokia N8.

Me afastei da VIVO. Graças a ação da direção da novela – e a Portabilidade – fui para os braços da TIM novamente. Como Tarcísio Meira e Glória Menezes, achei que dessa vez teríamos um amor eterno.

Mas não deixei a VIVO sem nada. Arrumei um chip pré-pago e a mantinha perto de mim. Talvez numa relação de carinho e amizade inesperada, e que possuía apenas um lado comprometido.

Trabalhava feliz na TIM, me relacionava com ela, com amigos em comum, e mantinha uma certa amizade com a VIVO. Parecia que o “felizes para sempre" havia chegado. Talvez, para dar mais audiência, o destino agiu novamente.

Uma crise pessoal ocorreu e minha relação profissional com a TIM se foi, restando apenas o relacionamento pessoal.

Não sei o que aconteceu, mas a TIM parecia não mais estar na mesma sintonia que eu. Simplesmente não fazia as ligações, parou de cuidar de si, apresentou quedas na sua estrutura (internet) e não me procurava mais, deixando meu celular à revelia, largado.

Mas não me entreguei. Liguei pra ela, tentando manter nosso relacionamento da juventude aceso, mas a chama foi se apagando. Além disso, percebi que ela dava atenção pra muita gente, menos pra mim. E até no twitter ela parou de me responder.

Foi aí que a experiência falou mais alto. Resolvi dar ouvidos à minha história de vida, e percebi que devemos dar valor à quem nos dá valor.

Enxerguei quem sempre esteve do meu lado. Quem me deu suporte quando precisei e pra quem não dei valor. Percebi que havia trocado quem me dava atenção, por um relacionamento bobo da juventude.



A VIVO sempre esteve ali comigo. Podia não haver amor, mas havia um carinho especial.

Na semana passada pedi divórcio da TIM (portabilidade) e voltei pros braços da VIVO.

O mais interessante é que enquanto preenchia os papéis da separação, precisei acessar um email e a internet da TIM no meu celular não funcionava. A VIVO ajudou e eu consegui acessar e concluir o processo.

Nesse momento, a TIM mandou mensagem dizendo que recebeu a solicitação de portabilidade para outra operadora, e pedindo pra eu entrar em contato com urgência para outras informações.

Nem para pedir que eu ficasse a TIM ligou. Queria que eu ligasse pra ela, que eu corresse atrás como sempre. Nem parecia se importar que eu estivesse em um bar, bêbado no balcão e cantando “Garçom” do Reginaldo Rossi pensando nela.

Não pense que estou bebendo, chorando, ou sentado no sofá tomando um pote de 2 litros de sorvete assistindo aos seus comerciais, TIM.

Desta vez é diferente. Minha internet funciona, minhas ligações completam e sinto uma relação de reciprocidade.

Desta vez me sinto VIVO.

Acabou TIM. Espero que pra sempre.


E sem próximos capítulos.



Guilherme Cunha. Ex-advogado. Futuro escritor. É apenas mais um trabaiadô,doutô. Mais um nerd gordo que acha que é blogueiro. Apreciador de boa cerveja, boa música, boa conversa e de paciência Spider. Melhor jogador de War com as peças verdes. Siga-o no twitter: @guijermoacunha