Era
mais um dia de vida do garoto Bernardo. Sai do colégio, vai para casa, almoça,
aproveita alguns instantes para dar aquele cochilo até umas 14h, toma banho
para acordar, vai para academia... ah academia... Um lugar que você ou ama ou
odeia. Ficava lá umas 3 horas por dia, era musculação, spinning e alguma aula complementar, como essas que tem nesses
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dia. Depois era o de sempre, voltava para casa, tomava banho,
estudava (sim, estudava... Cara responsável) e descansava...
Enfim,
a rotina era de um adolescente sadio, que levava a vida “de boa”, “sem stress”...
Porém,
apareceu uma garota fazendo aula de “localizada” lá naquele espaço, onde sua
mente fluía, descansava, e não dava para ficar perdendo o foco.
Branquinha,
conversava sempre com aquele sorrisinho, Tinha um ar meio... meio... sei lá,
tipo arrogante... “Essa menina parece ser chata...”, pensava o garoto sempre
quando a via.
E
o tempo foi passando, e todas as tardes ele a avistava na sala de ginástica,
enquanto pegava pesado na musculação.
Sexta
feira era dia de educação física no colégio e o melhor de tudo: no ultimo
horário. Aquela empolgação, afinal de contas era um futebol competitivo entre
salas. E Bernardo era bom. Seu time empatando 1 x 1, faltando 5 minutos para
acabar. Ele recebeu uma bola em sua área, mas algo tirou sua atenção. Era ela,
“não é possível, estuda na minha escola?” e a ficou encarando. Ela estava
passando num corredor ao lado das quadras com duas amigas quando o avistou e...
Virou a cara...
-
Gooooollll!!!
Um
grito ecoou.
-
Porra, Bernardo! Ta viajando aí? Perdemos por sua causa...
- É
mesmo, sua bicha...
Aquilo
ali ficou marcado. Perdera o jogo. Por quê? Por que aquela menina mexia tanto
com ele?
-
Bernardo...
-
Sim, professor...
-
O que foi, amigo?
-
Não é nada, eu vacilei...
-
Acontece, vá para o vestiário.
Depois
daquilo, sua sexta feira era puro pensamento, até quando chegou a hora tão
esperada.
-
Bernardo, supino reto. Pode colocar 35 kg em cada lado... 3 séries de 10
intercalado com flexão, 3 séries de 15 ....
-
Ok...
-
1, 2, 3, 4, 5...
Certo...
Mudança de ficha, ótimo. Seu espírito estava renovado. Então ele a viu, a tal “miragem” que o deixou
numa enrascada na educação física. Para qual aula ela estava indo? Resolveu
segui-la.
Ops,
ela virou a direita. Sala de quê? Nunca viu qual aula era...
Ficou
olhando pela janela da porta. Cheio de meninas. Começaram a fazer alongamento.
O professor começou a falar algumas coisas só que não dava para escutar. De repente,
começou a tocar... Axé? Como assim?
-
Olá...
-
Ah... oi.. tô só vendo...
- É,
eu sei... posso passar? Você está na frente e...
-
Claro... Nossa, perdão...
-
Que isso, hehehe... Se quiser pode entrar, não precisa ficar com vergonha...
-
Nãoooo, de maneira nenhuma... que isso...
- Unh...
você que sabe...
E
a garota entrou. A cara do garoto ficou toda vermelha de vergonha, e, para
piorar, a menina que estava sendo espionada vira aquela cena toda, não só ela a
turma de, mais ou menos, 15 mulheres...
-
Oh rapaz! Ei... Pode entrar! Fique à vontade... Vamos dançar...
-
Ahhh... não... não posso... tenho que... fazer minha ficha....
-
Daqui a pouco você volta em!!! – Uma menina gritou e todas riram.
O
professor era bem legal, mas, como o mundo é muito preconceituoso, Bernardo ficou
com medo de ser julgado pelos colegas que frequentava a academia... “imagina se
me vissem dançando, tchacabum?? Deus me livre...”
-
Mas uma coisa que ficou gravada em sua memória naquela confusão, naquele descontrole
de tanta vergonha era o rosto risonho da menina...
Foi
o primeiro final de semana que o Bernardo ficou desejando a segunda feira. Mas
a causa daquilo ele não queria confessar. Estava apaixonado.
Segunda,
enfim, chegou. O garoto foi para aula desejando encontrar a garota, ficou
observando o recreio, não conseguiu encontrá-la. Será que não era sua
imaginação?
Foi
para academia... Mesma coisa de sempre, fez sua musculação e... Ah... Era
ela... Com cabelo solto, estava linda, indo em direção à sala da catástrofe
anterior.
Então,
automaticamente, ele a seguiu novamente. “Espera, o que você está fazendo?”,
sua mente estava lutando contra seu sentimento. Então, no impulso, abriu a
porta da sala.
-
Olha! Quem apareceu!!! Garotas deem as boas vindas ao... Qual é o seu nome,
amigo?
- Ah...
Bernardo...
-
Bernardo!
-
Seja bem vindo! – ecoou o grito na sala...
-
Bem eu... agradeço...
Algumas
meninas olhavam com curiosidade, outras risonhas e outras com apenas um
sorrisinho... Bernardo começou a gostar da ideia de ficar ali, afinal de contas
poderia se dar bem. Ficou ali no fundo
da sala, tímido e nada de conversar com a menina. Foi então descobrindo que
gostava de dançar, e descobriu também que a dança era um imã para se dar bem
com as mulheres.
O
seu sentimento pela menina foi sendo ofuscado pela sua timidez de chegar nela e
dizer pelo menos um “oi”, mas não era tímido para conversar com as demais.
O
tempo passou, meninas saiam, meninas entravam, e ele sendo o cara do axé. Sua
fama se alastrou até para o seu colégio e logo vieram as piadinhas, os
preconceitos, mas foi tirando de letra. Os amigos zoavam, mas passaram a
perceber que quem estava certo era o Bernardo.
E
a menina? Bem... Ano que vem eles se casam.
Bruno Farnese. Relações Públicas, filho de Roberto e Kátia. Apreciador de carne e cerveja, odeia azeitona, perder no xadrez do avô ou na peteca da avó. Gosta de tentar escrever nas horas vagas. Reclamações e sugestões? Você pode segui-lo no Twitter @bfarnese ou no Facebook.
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