terça-feira, 1 de outubro de 2013

Metal

- O senhor está carregando alguma coisa de metal?

- Não, já coloquei tudo ali.

- Tem certeza?

- Claro.

- Então passa de novo.

- Ok.

- Senhor, a porta acionou de novo.

- Sim, eu ouvi.

- Vou pedir para que o senhor retire tudo o que tem de metal.

- Mas eu já passei.

- O senhor está de cinto?

- Sim.

- Por favor, vou pedir que o retire.

- Ok.

Essa foi a cena que vivenciei no Banco do Foguinho do Capeta esses dias. Ah é, esqueci de contar do começo né? Pois bem. Todas as doze pessoas que acessam esse blog já sabem que eu ando sempre com duas coisas, independente pra onde eu vá. Fones no ouvido e o azar no corpo.

Neste dia eu já estava puto, mas resolvi não contar aqui porque o começo repetiria a primeira parte desse dia aqui. Enfim, cheguei atrasado no serviço, peguei um rabo de foguete para fazer, a conta bancária mais vermelha que gringo quando pega sol e o dia mais devagar que o Barrichelo. Pra piorar, tinha que passar no banco para resolver um erro deles e a porta não deixava eu entrar, apesar do Ipod, celular, chave, moedas, relógio e agora o cinto não permitirem.

- Pronto.

- Senhor, o senhor ainda está com metal.

- Mas não é possível. Já retirei tudo. Até o Dr. Destino já teria entrado nesse lugar.

- Quem?

- Ou o Colossus...

- Senhor, não entendi o que está dizendo, mas não posso deixar o senhor entrar com metal dentro do banco.

- Mas eu não tenho nada de metal comigo mais... Além disso, meu Ipod já está ali com todo o meu metal, seja o Iron, o Black Sabbath ou o primeiro disco do Bon Jovi.

- Oi?

- É, eu sei. Tem gente que acha que o Bon Jovi não é metal, mas eu acho que é sim. O primeiro dele era mais pro lado do metal do que pro pop...

- Não sei do que está falando.

- Muita gente não sabe porque não conhece o primeiro disco do Bon Jovi e acham que ele começou com “Livin on a Prayer”, mas foi com “Runnaway”.

- Eu não quero saber de Ranauei ou liviom a não sei o que. Precisa tirar o metal.

Não, não sou eu.
Minha barriga é maior.
- Já tirei muito. Hoje só tem mais clássicos como Aerosmith, Creedence, apesar que escuto mais Beatles, AC/DC e The Who, mas metal mesmo quase não tem.

- Olha...

- Eu sei... falta um pouco de música nacional, eu sei...

- Não é isso. É que o senhor não pode entrar com metal.

- Eu apago o Black Sabbath então.

- Oi?

- O Iron já foi. Não tem mais nada dele.

- Meu senhor, pela última vez. O senhor está com alguma coisa de metal?

- Não. Tirando o Trident do Rock in Rio na boca, não tem nada de metal.

- Ah, o senhor tá com metal na boca? É pino? Ou obturação?

- É aparelho. E tem adamantium para curar logo.

- Entendi. Vou liberar sua passagem então.

- Obrigado.

- Senhor...

- Oi.

- O senhor tá deixando um aparelhinho preto aqui oh e seus fones de ouvido.

- Ah, obrigado.

E foi assim que, finalmente, entrei com metal no banco.


Guilherme Cunha. Ex-advogado. Futuro escritor. É apenas mais um trabaiadô,doutô. Mais um nerd gordo que acha que é blogueiro. Apreciador de boa cerveja, boa música, boa conversa e de paciência Spider. Melhor jogador de War com as peças verdes. Siga-o no twitter: @guijermoacunha 

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