Domingo.
8 horas da manhã.
Campainha toca.
Finjo não ouvir e viro pro lado.
Campainha toca.
Continuo fingindo não ouvir.
E toca de novo. Não tem jeito.
- Oi. (Saí da cama e atendi à porta, de pijamas, e sem tirar as remelas.)
- Bom dia.
Não abri os
olhos ainda. Nem vi quem era..
- Só se for pra você, o que você quer?
- Posso ler a Bíblia pra você?
- Não, obrigado. Eu
sou alfabetizado. Bom dia.
E fechei a porta.
Mas a campainha tocou de novo.
- Desculpe senhor, mas sinto que preciso transmitir a palavra de Deus
para você. Somos testemunhas de Jeová e...
- Não, obrigado.
E fechei a porta
de novo.
Mas a campainha tocou de novo.
- Desculpe a insistência senhor, mas posso deixar
apenas uma revista com o senhor? É de graça.
- Não, meu cachorro já tem jornal o suficiente.
- Não entendi.
- Nada, esquece.
- Tudo bem. Escute, posso
ler um trecho da Bíblia pro senhor? Todo mundo precisa de orações, acho que
seria bom para sua alma....
- Cara, você quer rezar agora?
- Não rezo senhor, eu oro.
- Tudo bem. Você quer orar agora? De
madrugada? Tenho certeza de que Deus está dormindo...
- Deus nunca dorme senhor.
- Tá, mas eu durmo e estou com muito
sono. E não com mínimo saco pra
isso agora...
Antes que eu continuasse a frase, o cara começou a orar de olhos fechados, com uma mão no peito e outra apontando para o céu.
Pensei que era uma ótima oportunidade de fechar a porta devagar e
desligar a campainha.
O anjinho dentro de mim estava acordando, mas pedia paciência.
O capetinha estava chegando da noitada, bêbado, e parecia querer acabar com aquilo logo,
provavelmente para dormir até a hora do almoço.
Então, comecei a tossir falsamente e descontroladamente. Queria chamar a
atenção dele...
- Tudo bem senhor? O senhor tá bem? Sabia que precisava
de orações....
Isso. Chamei a atenção dele. Esfreguei os olhos. E olhei para atrás dele.
- Olha cara, eu queria muito ficar conversando com
vocês, mas vou
dormir.
- Vocês? Estou sozinho aqui senhor.
- Não. Tem um espírito atrás de você. Sou espírita e
médium. Vejo
espíritos. E tem um atrás de você.
O anjinho despertou e começou:
- Não. Não. Não. Não faça isso. Pare. Agradeça e o deixe ir.
O capetinha apenas ria. E sentou no ombro esquerdo, acendeu um cigarro e
festejava:
- Isso, assuste ele. Continue nessa. Mas seja rápido porque quero dormir..
- Senhor. Eu não acredito nisso.
- Ok. Não vou te convencer. Mas não gostei da cara do
espírito atrás de você não.
E ele olhou para trás. Podia sentir o aperto que ele passava.
O anjinho balançava a cabeça negativamente.
O capetinha sorria e pensava no sucesso daquela atitude.
- Olhe senhor, vou embora então. Não quer mesmo a
revista?
- Não. E quando eu for ao centro espírita hoje vou
procurar saber o motivo pelo qual o espírito está atrás de você.
- Tenha um bom dia senhor.
- Bom dia.
E foi embora. Até a hora que fechei a porta, ele virou
de costas duas vezes.
E eu fui dormir. Junto com o capetinha. O anjinho foi
rezar por nós.
Nota: Não tenho nada contra religiões e crenças. Só tenho algo contra alguém que toca minha campainha três vezes, num domingo, às 08 horas da manhã, e tentando me
convencer a fazer algo que não quero.
KAKAKAKAKAKAKAKA... campainha devia ser programada pra tocar só depois do meio-dia nos fds. rsrs.
ResponderExcluirNem me fale Rafa.
ResponderExcluirEstressante viu?
Obrigado por acessar sempre! =]