Eu não sei se já disse aqui, mas estou fazendo um curso preparatório. Mentira, eu já disse sim, mas precisava
dessa frase para introduzir o texto.
Pois bem. Faço um curso preparatório para um concurso jurídico que irei fazer em abril (eu sei que ao invés de estar alimentando
esse blog eu deveria estar estudando) e minha turma é bem interessante.
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| É tipo isso mesmo. |
Não sei se vocês são assim, mas
quando eu chego num lugar fora da minha zona de conforto, e sei que terei que
conviver com aquelas pessoas por mais de 10 minutos, eu já começo a deduzir a personalidade das pessoas e já
imagino se aquela
pessoa tem os requisitos necessários para ter um mínimo de diálogo
comigo. (sei que
parece arrogância, mas não é gente. Eu sou legal – pelo menos eu acho).
É tipo um Big Brother. Você não conhece ninguém e sabe que tem que passar 05 meses convivendo com
aquelas pessoas ali. E
tem aulas que são
verdadeiras provas de resistência em que ficar acordado por
04 horas, sentado sem
água, comida, sem ir ao banheiro e ouvindo
bobagens, merecia um
carro da Fiat. Só que você não elimina ninguém. Mas pode deduzir quem pode ser seu “colega” lá.
Por exemplo. Logo no primeiro dia de aula, entrou uma menina com uma mochila rosa e tirou um caderno rosa. Ao tirar o
caderno, ela cheirou o caderno. Na mesma hora eu pensei. Eu não acredito que uma pessoa que está se preparando para um
concurso público concorridíssimo comprou um caderno com cheiro. E aí, ela tirou
um celular com capa rosa e ligou pra alguém e ficou falando com voz de criança “xerá que voxê tá com xaudade igual eu? Óóóóóuuuunnnnnn”.
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| Certeza que o quarto dessa menina era sim |
Gente, não dá pra você ter um diálogo com uma pessoa assim né? Imagine que você chegou atrasado e pergunta pra essa menina o que a
professora já falou e
ela abre aquele caderno com cheiro de tutti-frutti exalando na sua cara e diz
que “a plofexora legal falou dos
prinxipios do direito ambiental. E que foi ótimo porque ela adora plantinhas e bichinhos...” Não dá né.
(Se bem que eu
devo ser rotulado como o cara esquisito que não conversa com
quase ninguém, é gordo e que usa camisa e caderno dos Beatles. Se
não fosse as matérias educativas na Globo e o fato dos colegas de classe já terem atingido idade penal, provavelmente
eu até sofreria
bullying)
E acho que essas deduções são importantes porque elas refletem em uma escolha importantíssima em situações assim: o lugar onde vai
sentar.
Escolher o lugar onde vai sentar é tão cruel e pode definir tantos destinos que devia ser estudado pela física quântica. Porque você pode deduzir e fugir
das pessoas, mas outras pessoas podem sentar ao seu lado.
Há pouco tempo atrás um cara sentou ao meu lado;
- E aí cara, beleza?
- Tranqüilo e você?
- Tranqüilo. Seguinte. Vi que você curte Beatles
e tals.
- É.
- Legal né. Pois então. Vai ter um show do Sambô aqui e eu to
vendendo ingressos. E
eles cantam uma música dos Beatles. Tá afim de ir não?
- Não, valeu. Já combinei de bater o dedinho
do pé na quina do sofá lá de casa. Vai dar não.
- Combinou o que?
- Nada não. É um compromisso aí. E tem que estudar também né parceiro.
- É, mas é
sexta. Sexta tem aula de português, dá
pra matar.
- Ah, mas eu prefiro vir aqui, cara. Foi mal, mas não tenho
interesse não.
- Beleza. Se mudar de ideia...
- Pode deixar, te aviso.
E desde então sento sempre longe de onde
esse cara senta. Ou
ele que prefere sentar longe de mim, não sei.
Mas o que mais me chamou atenção é uma menina lá.
Ela sempre vai com “roupa de trabalhar”. Faz opções mais sociais, usa óculos, cabelo amarrado e etc. Só que tenho certeza de que ela é meio apaixonada com o
rapaz que é monitor
da turma, porque ela chega e fica procurando o cara tá e sempre senta do lado dele. Só que ele não tá nem aí pra ela e meio que
transparece que conversa com ela por educação.
Porém, em uma
sexta-feira, ela apareceu com “roupa de sair”. Tava com um vestido, cabelo solto, sem óculos. Coisas que só uma sexy-ta-feira faz. O
tal monitor secou
a menina toda. Dava
pra ver que ele tava assustado e animado com a beleza da menina.
Ela entrou e sentou ao lado dele. E o cara nunca teve tanto dente igual aquele
dia. Na hora que o professor chegou, o papo teve que
acabar. Aí o rapaz tirou o notebook
dele da mochila, mas olhando pra menina.
Nesse momento, eu estava sentado
três cadeiras atrás do “casal”. E só deu tempo
de ver que ele abriu a tampa do notebook conversando com a menina e abre a tela
com uma página pornô, cheio de garotas nuas e em
posições ginecológicas.
Juro que o notebook do cara até caiu no chão de tanto desespero que o
rapaz arrumou para fechar a tampa. O casal ficou sem graça. E eu sem ar de tanto que ria em silencio. (eu sei que é errado rir dos outros,
mas foi engraçado).
Depois desse
dia, a menina continuou a ir com sua roupa social e cabelos presos. O cara continou
a ir. Mas ela parou de sentar ao lado dele.
E eu continuo a ir com minha camisa dos Beatles, caderno dos Beatles, gordo e sentando sozinho. Mas rindo de situações assim.
Guilherme Cunha. Ex-advogado. Futuro escritor. É apenas mais um trabaiadô,doutô. Mais um nerd gordo que acha que é blogueiro. Apreciador de boa cerveja, boa música, boa conversa e de paciência Spider. Melhor jogador de War com as peças verdes. Siga-o no twitter: @guijermoacunha

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