quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Época de Natal.


- Amor.

- Sim.

- O que você ganhar de Natal?

- Ué, qualquer coisa.

- Qualquer coisa não vale. Me fala.

- Bom, pode me dar uma camisa do Galo.

- Não, nada de futebol.

- Tá, então me dá uma camisa qualquer.

- Mas que tipo de camisa?

- Camisa para eu trabalhar.

- Tipo pólo?

- Pode ser.

- Ah, mas você tem muitas camisas pólo.

- Então me dá uma camisa social.

- Que cor?

- Qualquer uma.

- Não tem essa cor.

- Então me dá uma amarela.

- Você não fica bem de amarelo.

- Então me dá uma verde.

- Nossa, verde?

- Que que tem?

- Nada.

- Ótimo.

- Não gosto de verde.

- Então me dá qualquer uma. Menos azul.

- Azul é tão bonito.

- Não acho.

- Ah, só porque azul é do Cruzeiro?

- Não. Não gosto de nada azul.

- Sei.

- Olha, qualquer camisa tá.

- Tá. E que mais?

- Como assim ‘que mais’?

- Uma camisa tá pouco. Que mais você quer?

- Não sei.

- Nossa, assim é complicado né?

- Olha, pode me dar qualquer coisa.

- Não, tem que ser algo que você esteja querendo.

- Então me dá um aumento.

- Aumento de que? Atenção?

- Não, salário.

- Que saco hein? To querendo te agradar.

- Mas é o que eu quero. E o que eu estou precisando.

- Sem ser isso, o que mais você quer?

- Eu quero que você me dê o que você quiser.

- Meu Deus, como é chato! Não pode me falar o que quer não?

- Não preciso de nada.

- Grosso.

- Não é isso. Eu não quero nada. Pode me dar o que quiser tá?

- Então fala que não quer nada. Não precisa gritar comigo.

- Eu não estou gritando.

- GRITOU SIM!

- Tá bom, então. Desculpa.

- Que saco. To aqui tentando te agradar e fica aí me tratando desse jeito.

- Desculpa, já falei.

- Tá bom.

.- Vai ficar com raiva?

- Não.

- Ótimo.

- Mas é que é difícil dar presentes pra você.

- Não é não. Pode ser qualquer coisa do Galo. Ou dos Beatles. Ou qualquer coisa.

- Ah. Já sei o que vou te dar.

- Que bom, vamos comer algo então?

- Você vai adorar meu presente.

- Tenho certeza disso.

- Quero até ver sua cara quando ganhar.

- Você verá. Vamos comer.

- E não adianta insistir. Não vou te contar o que é.

- Fechado.

- Você não quer saber?

- Quero, mas no Natal eu descubro.

- Grosso.

- De novo?

- TÕ AQUI QUERENDO TE AGRADAR E VOCÊ CONTINUA ASSIM. QUE SACO!

- Tá bom, desculpa, mas é que eu to com fome.

- Vamos.

- Comer?

- É. Não é o que você quer?

- É. Mas não fica com cara fechada não tá? Já sabe o que vai me dar, agora podemos ir comer né.

- Tá.

- Então vamos.

- Mas aqui. E pra sua mãe? O que eu dou?

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