Versão feminina.
E o casal de namorados ia a mais uma festa de casamento. Devia ser o 54º desde que estavam juntos.
Como sempre, a Namorada já havia avisado mais cedo pelo telefone:
- Nem pense em não ir de terno! E não esqueça da barba feita e dos sapatos engraxados.
Arrumada, mas um pouco atrasada, avisou à mãe quando estava de saída:
- Acho que hoje sai, mãe.
Desceu as escadas apressada e foi recompensada com um elogio do Namorado.
E foram à festa.
Com um pouco mais de 2 horas de festa, a turma do Bolinha já estava reunida em roda, todos com copos de uísque na mão,
conversavam alto e bem felizes. A turma da Luluzinha não.
As mulheres com seus vestidos se preparavam para o grande momento: A
noiva ia jogar o buquê.
Ajeitavam o vestido. Algumas tiravam o sapato. Outras, se pudessem, afiariam o
salto. Tenho certeza de que pelo menos duas estavam com um pequeno punhal
embaixo do vestido e que uma pensava que deveria ter comprado um soco inglês
ou, pelo menos, o spray de pimenta. Mas todas elas seguiram os dez mandamentos de como pegar o buquê.
E todas as solteiras se posicionaram. E olhavam fixamente. A vida dependia daquele
momento.
As mais novas, confiavam na agilidade.
As mais velhas, na experiência de tentativas
anteriores.
E aquelas não tão novas, e nem tão velhas, como a Namorada, acreditavam
no Poder Divino , leia-se simpatias, e no destino.
E a noiva
anuncia que vai jogar o buquê.
É um...
É dois...
É três!
E contrariando a modinha atual, a noiva não refugou. Jogou o buque mesmo. De primeira.
E então, o silêncio no salão imperou.
As mulheres se amontoaram.
A turma do Bolinha ficou calada.
As mães das solteiras rezavam, com as mãos entrelaçadas e coladas junto ao peito.
Até as moscas devem ter parado para assistir aquele momento.
Quem teria pego?
E então, todos respiravam aliviados.
Despenteada,
com umas duas unhas quebradas e um joelho inchado e ralado, a prima da noiva mostrava o troféu! Afinal, pegou o buquê! Agora a sorte estava com ela.
A turma do Bolinha apenas voltou a
conversar e rir. Alto. E beber.
As mulheres cumprimentaram a felizarda.
E ela estava feliz e com um frio na espinha de tanta alegria e
expectativa.
A Namorada, sentada à mesa ao lado do Namorado, lamentou que o buquê bateu na sua mão, mas infelizmente não conseguiu
pegar.
Mas a festa continou.
No caminho de volta, a Namorada, cansada e satisfeita com a festa, estava feliz pela amiga que
casou, mas olhava pela janela do carro.
- Tá tudo bem amor?
- Tudo bem Renato. Só estou cansada.
A conversa
desenvolveu e seguiram felizes para casa.
Ela pensava na 54ª derrota consecutiva. Um dia, a vitória chegaria. E essa era a
esperança.
Versão masculina
E o casal de namorados ia a mais uma festa de casamento. Devia ser o 54º desde que
estavam juntos.
Como sempre, a Namorada já havia avisado mais cedo pelo telefone:
- Nem pense em
não ir de terno! E não esqueça da barba feita e dos sapatos engraxados.
E lá estava ele,
na porta da casa da Namorada, há 30 minutos e
morrendo de calor com aquele maldito terno. Mas compensou quando viu aquela mulher linda daquele jeito.
Elogiou a beleza da Namorada e foram à festa.
Com um pouco mais de 2 horas de festa, a turma do Bolinha já estava reunida em roda, todos com copos de
uísque na mão, conversando alto e bem
felizes. A turma da Luluzinha não.
Depois de todas aquelas piadas e casos contados, o Namorado percebeu que
as mulheres estavam apreensivas, afinal, a noiva ainda jogaria o buquê.
Os solteiros faziam apostas entre si sobre quem iria ser o
azarado da vez. Os já casados rogavam pragas e
riam da cara de desespero dos solteiros. E então eles perceberam o posicionamento das mulheres presentes.
De longe, podiam ver o olhar de determinação daquelas mulheres que estavam indo para a Faixa de Gaza.
Uns lembravam que a namorada malhava arduamente a semanas. Outros
descobriram o motivo da concentração da namorada desde o momento em que saíram
de casa. Teve um que comentou que pegou a mulher fazendo cotação de preço de soco inglês e spray de
pimenta no Mercado Livre e achou que a mulher estava era preocupada com a violência nas ruas.
E então as mulheres se posicionaram. E os homens pararam de conversar. A vida dependia daquele momento.
Os mais novos contavam com a sorte pessoal.
Os mais velhos com o azar da companheira.
E os nem tão novos e nem tão velhos, como o Namorado, acreditavam no
Poder Divino e no destino.
E a noiva anuncia que vai jogar o buquê.
É um...
É dois...
É três!
E contrariando a modinha atual, a noiva não refugou. Jogou o buque mesmo.
E então, o silencio no salão imperou.
As mulheres se amontoaram.
E então eles pararam de respirar.
Os pais das solteiras ficaram calados. Provavelmente uns três pais quase infartaram.
Até as moscas devem ter parado para aquele momento.
Quem teria pego?
E uma mão surge no meio do monte, com o buque na mão.
E então, todos respiravam aliviados. Estavam todas vivas.
A prima da noiva pegou o buquê.
Com as mãos no rosto e com o olhar perdido, o namorado da prima da noiva assistia a namorada mostrando o troféu! Ela pegou o buquê. E agora o azar estava com ele.
A turma do Bolinha voltou a conversar e rir. Alto. E beber.
Os homens apontavam e riam do “felizardo”.
Ele estava apreensivo.
E com um frio na espinha de preocupação.
Alguns até se candidatavam a serem os padrinhos. Dois já foram logo afirmando que organizariam a despedida de solteiro dele.
Alguns até se candidatavam a serem os padrinhos. Dois já foram logo afirmando que organizariam a despedida de solteiro dele.
Porém, o Namorado foi até a mesa e se sentou ao lado da Namorada.
Deu um beijo em seu rosto e voltou para a roda de amigos.
E a festa
continou.
No caminho de volta, o Namorado, cansado e satisfeito com a festa, estava meio bêbado e viu
que a Namorada estava com o olhar fixo para a janela do carro.
- Ta tudo bem amor?
- Tudo bem Renato. Só estou cansada.
A conversa
desenvolveu e seguiram felizes para casa.
Ele pensava na 54ª vitória consecutiva. Porém um dia, a derrota chegaria. E
esse era o problema.

Nenhum comentário:
Postar um comentário