quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Festas de Casamento

Versão feminina.


E o casal de namorados ia a mais uma festa de casamento. Devia ser o 54º desde que estavam juntos.

Como sempre, a Namorada já havia avisado mais cedo pelo telefone:

- Nem pense em não ir de terno! E não esqueça da barba feita e dos sapatos engraxados.

Arrumada, mas um pouco atrasada, avisou à mãe quando estava de saída:

- Acho que hoje sai, mãe.

Desceu as escadas apressada e foi recompensada com um elogio do Namorado. E foram à festa.

Com um pouco mais de 2 horas de festa, a turma do Bolinha já estava reunida em roda, todos com copos de uísque na mão, conversavam alto e bem felizes. A turma da Luluzinha não.

As mulheres com seus vestidos se preparavam para o grande momento: A noiva ia jogar o buquê.

Ajeitavam o vestido. Algumas tiravam o sapato. Outras, se pudessem, afiariam o salto. Tenho certeza de que pelo menos duas estavam com um pequeno punhal embaixo do vestido e que uma pensava que deveria ter comprado um soco inglês ou, pelo menos, o spray de pimenta. Mas todas elas seguiram os dez mandamentos de como pegar o buquê.

E todas as solteiras se posicionaram. E olhavam fixamente. A vida dependia daquele momento.

As mais novas, confiavam na agilidade.

As mais velhas, na experiência de tentativas anteriores.

E aquelas não tão novas, e nem tão velhas, como a Namorada, acreditavam no Poder Divino , leia-se simpatias, e no destino.

E a noiva anuncia que vai jogar o buquê.

É um...

É dois...

É três!

E contrariando a modinha atual, a noiva não refugou. Jogou o buque mesmo. De primeira.

E então, o silêncio no salão imperou.

As mulheres se amontoaram.

A turma do Bolinha ficou calada.

As mães das solteiras rezavam, com as mãos entrelaçadas e coladas junto ao peito.

Até as moscas devem ter parado para assistir aquele momento.

Quem teria pego?

E uma mão surge no meio do monte, com o buque na mão.


Weeee Aree the Champions! My Frieeeeend! 

E então, todos respiravam aliviados.

Despenteada, com umas duas unhas quebradas e um joelho inchado e ralado, a prima da noiva mostrava o troféu! Afinal, pegou o buquê! Agora a sorte estava com ela.

A turma do Bolinha apenas voltou a conversar e rir. Alto. E beber.

As mulheres cumprimentaram a felizarda.

E ela estava feliz e com um frio na espinha de tanta alegria e expectativa.

A Namorada, sentada à mesa ao lado do Namorado, lamentou que o buquê bateu na sua mão, mas infelizmente não conseguiu pegar.

Mas a festa continou.

No caminho de volta, a Namorada, cansada e satisfeita com a festa, estava feliz pela amiga que casou, mas olhava pela janela do carro.

- Tá tudo bem amor?

- Tudo bem Renato. Só estou cansada.

A conversa desenvolveu e seguiram felizes para casa.

Ela pensava na 54ª derrota consecutiva. Um dia, a vitória chegaria. E essa era a esperança.


Versão masculina


E o casal de namorados ia a mais uma festa de casamento. Devia ser o 54º desde que estavam juntos.

Como sempre, a Namorada já havia avisado mais cedo pelo telefone:

- Nem pense em não ir de terno! E não esqueça da barba feita e dos sapatos engraxados.

E lá estava ele, na porta da casa da Namorada, há 30 minutos e morrendo de calor com aquele maldito terno. Mas compensou quando viu aquela mulher linda daquele jeito.

Elogiou a beleza da Namorada e foram à festa.

Com um pouco mais de 2 horas de festa, a turma do Bolinha já estava reunida em roda, todos com copos de uísque na mão, conversando alto e bem felizes. A turma da Luluzinha não.

Depois de todas aquelas piadas e casos contados, o Namorado percebeu que as mulheres estavam apreensivas, afinal, a noiva ainda jogaria o buquê.

Os solteiros faziam apostas entre si sobre quem iria ser o azarado da vez. Os já casados rogavam pragas e riam da cara de desespero dos solteiros. E então eles perceberam o posicionamento das mulheres presentes.

De longe, podiam ver o olhar de determinação daquelas mulheres que estavam indo para a Faixa de Gaza.

Uns lembravam que a namorada malhava arduamente a semanas. Outros descobriram o motivo da concentração da namorada desde o momento em que saíram de casa. Teve um que comentou que pegou a mulher fazendo cotação de preço de soco inglês e spray de pimenta no Mercado Livre e achou que a mulher estava era preocupada com a violência nas ruas.

E então as mulheres se posicionaram. E os homens pararam de conversar. A vida dependia daquele momento.

Os mais novos contavam com a sorte pessoal.

Os mais velhos com o azar da companheira.

E os nem tão novos e nem tão velhos, como o Namorado, acreditavam no Poder Divino e no destino.

 E a noiva anuncia que vai jogar o buquê.

É um...

É dois...

É três!

E contrariando a modinha atual, a noiva não refugou. Jogou o buque mesmo.

E então, o silencio no salão imperou.

As mulheres se amontoaram.

E então eles pararam de respirar.

Os pais das solteiras ficaram calados. Provavelmente uns três pais quase infartaram.

Até as moscas devem ter parado para aquele momento.

Quem teria pego?

E uma mão surge no meio do monte, com o buque na mão.

E então, todos respiravam aliviados. Estavam todas vivas.

A prima da noiva pegou o buquê.

Com as mãos no rosto e com o olhar perdido, o namorado da prima da noiva assistia a namorada mostrando o troféu! Ela pegou o buquê. E agora o azar estava com ele.

A turma do Bolinha voltou a conversar e rir. Alto. E beber.

Os homens apontavam e riam do “felizardo”.

Ele estava apreensivo. E com um frio na espinha de preocupação.

Alguns até se candidatavam a serem os padrinhos. Dois já foram logo afirmando que organizariam a despedida de solteiro dele.

Porém, o Namorado foi até a mesa e se sentou ao lado da Namorada. Deu um beijo em seu rosto e voltou para a roda de amigos.

E a festa continou.

No caminho de volta, o Namorado, cansado e satisfeito com a festa, estava meio bêbado e viu que a Namorada estava com o olhar fixo para a janela do carro.

- Ta tudo bem amor?

- Tudo bem Renato. Só estou cansada.

A conversa desenvolveu e seguiram felizes para casa.

Ele pensava na 54ª vitória consecutiva. Porém um dia, a derrota chegaria. E esse era o problema. 

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