quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Pousada Transilvânia - Parte I


Eu não sei se já disse aqui, mas tem coisas que só acontecem comigo.

Namoro há muito tempo. E namoros que duram mais que um ano precisam passar por injeções de ânimo constantes. E uma boa opção é sempre passar um final de semana fora.

Moro em BH e aqui perto tem uma cidade chamada Lagoa Santa que fica bem próxima ao aeroporto dos Confins do Universo. E depois de Lagoa Santa tem uma cidadezinha chamada Serra do Cipó, onde existem 1300 habitantes e 5300 pousadas, o que sempre me faz pensar se os donos de pousada ficavam em outras pousadas para fazer a economia girar no município. 

E estava chegando um feriado na sexta-feira. O que significava que eu poderia viajar na quinta, após o serviço, aproveitar a sexta e ainda tinha o final de semana. Resumindo, mini-férias. 

Uma amiga de minha digníssima indicou uma pousada em Lagoa Santa. havia passado alguns finais de semana na Serra do Cipó e estava ciente que a inflação das hospedagens naquela cidadezinha estavam quase que chegando aos níveis africanos e resolvi acatar a proposta da pousada em Lagoa Santa (para não dizer inventar moda ou economizar).

A namorada já havia aceitado. Minha irmã e meu cunhado gostaram da ideia e resolveram ir também. Reservas estavam feitas e o pagamento adiantado para usufruir do quarto que tinha vista para a Lagoa. Restava, apenas, curtir.

Deus é um cara legal, mas gosta de me testar. Tenho quase certeza disso pois nada justifica, após longos períodos de Sol, ligar o modo Dilúvio e esquecer de nomear um Noé na Terra. Ou pelo menos um em BH ou Lagoa Santa.

Mas mesmo debaixo de chuva esta indo, estávamos indo para a pousada indicada, apenas eu e minha namorada (minha irmã iria no dia seguinte com o noivo), a caminho de período de descanso.

O segundo teste divino já apareceu logo de cara (o primeiro foi o dilúvio): Achar a pousada.


Eu achei a rua. Mas não achava a bendita pousada. Obviamente não pedi informação e comecei a subir a rua. Estava quase em BH pela distancia percorrida e então a rua acabou. Era noite, chovia, não conhecia o local, e sou míope.


Eis que minha namorada, no alto da sua visão de Lince, me aponta uma porta, aparentemente de uma casa abandonada:

- Será que é aí?

Não pode ser. Nem via a casa direito. E a minha vista pra lagoa?

- Não sei.

- Vai lá ver.

E fui. Desci na grama e terra molhada. E na chuva. Corri e fiquei embaixo de algo que desconfiava ser um telhado. E procurei uma campainha, mas sem sucesso. Não tinha interfone. Simplesmente não vi nada para ver se tinha alguém em casa. E então, vi uma aldrava. E bati.

Era algo bem parecido com isso. Só que mais escuro e chovia...

Não obtive resposta. Bati de novo. E nada. Quando ia bater pela terceira vez, a porta abriu. Com este som.

Apareceu uma pessoa, meio corcunda, com um lampião na mão. Só faltou um olho torto. Juro que se eu tivesse com material pronto, tinha feito nas calças. E ainda trovejou.

- Boa noite.

- Boa noite... er.. bem... meu nome é Guilherme e tenho uma reserva aqui. Aliás, acho que é aqui né...

- Guilherme Cunha?

- Sim.

- Estava te esperando.

Olhei para o carro e a namorada lá. Tentei transmitir pelo olhar que se eu não voltasse em 05 minutos, ela poderia voltar e buscar reforços. Mas não sei se consegui.

Entrei naquela choupana e a mesma estava vazia. Não tinha sinal de qualquer vida ali. E só quando cheguei em uma escrivaninha, vi que era uma mulher. Disse que meu quarto era o número 10, que o café era até às 10 horas e mandou eu assinar uma ficha.

- Meu quarto tem visão pra lagoa né?

- Tem. Pode ir buscar suas coisas que eu te mostro onde é.

Fui até o carro buscar as malas e a namorada e pude ver pelo seu rosto uma expressão de alívio ao ver que ainda estava vivo e com todos os órgãos.

Com as malas já nas mãos, a dona nos levou até a porta do quarto e despediu.

Entramos no quarto e vimos uma decoração bem, er, rústica, digamos assim.

Havia uma cama de casal, um pequeno criado mudo, todos em madeira escovada, além de um pequeno guarda-roupa. O banheiro era bem simples.

Tranquei a porta e me certifiquei disso 5 vezes antes de pensar no que fazer. Enquanto a namorada ajeitava as coisas no quarto, fui tomar um banho e tive a alegre surpresa de que a torneira dava choque.

Saí do banho e alertei minha digníssima sobre a torneira. E enquanto ela foi pro banho eu abri a janela para ver a lagoa. Porém estava bem escuro e não via nada. O jeito era apreciar a vista no outro dia.

Após o banho da Namorada, ajeitamos o quarto. Minha irmã chegaria no dia seguinte.

E fomos dormir.

Continua...

PS: O nome da Pousada não era Transilvânia. Mas eu acho que combinaria ...

Nenhum comentário:

Postar um comentário