quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Ao Mestre, sem carinho (parte 1)


Estava folheando o convite de formatura da minha irmã e do @Bfarnese esses dias e lembrei da minha época de faculdade e de tudo que aprendi lá, seja os truques na sinuca, a colar de todo mundo na prova e beber todos os dias.

Mas me lembrei que só tomei bomba em uma matéria e foi no primeiro período. Acreditam? Pois é, em Economia. E depois cheguei a pegar provas especiais, mas sempre passei. A mancha no meu histórico da Faculdade de Direito da PUC foi essa maldita Economia, que paguei no 10º período quando fiz a matéria virtual.

Reconheço que vagabundei muito no primeiro período, mas essa mancha eu atribuo ao professor também. Sim, 50% de culpa pra cada um.

Esse professor é oriundo de um dos países da América Central, acho que Panamá, e resolveu dar aulas de Economia. Achei uma matéria bem escolhida por ele porque ele era bem econômico. Economizava até no português que ele pronunciava muito mais ou menos e reclamava do preço de tudo.

Nas primeiras aulas estávamos indo bem. Nunca fui um aluno que sentava nas primeiras carteiras. Devo ter pego uns 10 livros durante o curso inteiro na biblioteca e anotava muito pouco, mas eu ia bem nas provas porque eu prestava atenção nas aulas. Isso incomodava alguns alunos e acredito que até professores. Esse, tenho certeza, pois vivia perguntando se eu não iria anotar e eu respondia que não, já tinha anotado na mente.

Pois bem. Eu tinha 20 anos quando comecei o curso. Tinha 75% de freqüência nas aulas e 100% de freqüência no bar em frente.

E foi justamente nessa época que estava passando na TV uma propaganda do Zeca Pagodinho, que “voltava pra Brahma”, após fazer comerciais para a Nova Schin. Saindo do bar, passei por outro fechado que tinha uma imagem do Zeca, em tamanho real, igual a imagem ao lado. E eu, na minha mente doentia, peguei a imagem, coloquei no carro e fui embora.

No outro dia, lógico que levei a imagem para a sala. Queria mostrar que eu era foda e impressionar as meninas. Sentei ao lado do Zeca na sala de aula e já esperava reações enérgicas dos professores. O primeiro professor do dia, um padre exigente que dava aula de Filosofia, entrou na brincadeira e inclusive acrescentou o nome do Zeca na chamada. Na segunda aula, de Política, também foi tranqüilo. Mas na terceira aula, de Economia....

O tal professor gringo entrou na sala e quando viu o Zeca lá não pensou duas vezes. Pegou a imagem de papelão e já arremessou pra fora da sala de aula.

- Ei, você tá louco?

- Este Seca é seu?

- Sim, o Zeca é meu.

- Zala de aula nón é lugar disso.

- Então porque não me disse que não queria aqui? Quem te deu o direito de pegar algo que não é seu e sair jogando assim? E se estragar? Vai me dar outro? Não né? Lá no seu país não te deram educação não? Era só ter pedido que eu tirava na boa... E isso que você fez é dano ao patrimônio alheio e ninguém te deu o direito de fazer isso...

- Não interessa. Zala de aula não é lugar disso.

Nossa, mas eu fiquei muito P da vida. Peguei o Zeca e levei pro carro.

Duas semanas depois, prova. Em 25 pontos, tirei 2.

Quando recebi a prova corrigida, levantei e fui tirar satisfação com ele.

- Professor, olha só. Acho que você não corrigiu minha prova direito. Essa questão 3, tem uma página de resposta. De acordo com esse livro aqui...

- Não adianta. Nón discuto cóm aluno chorón.

- Professor, mas eu acho que você podia dar uma olhada aqui porque...

- Já dize. Nón discuto cóm aluno chorón.

Isso me deu uma raiva... Aí eu resolvi que eu teria que estudar demais pra matéria dele. Para a segunda prova, estudei demais. Duas semanas antes eu estava estudando e fiz a prova. Tirei 13 em 25.

Bom, eu tinha 15 pontos em 50. Precisaria de 45 em 50. Difícil, mas não impossível.

Seriam 20 pontos de trabalho. Só que TODAS AS PESSOAS DA SALA TIRARAM 20. Eu tirei 14. Com isso, estava matematicamente rebaixado.

Tentei um tapetão.

- Professor, eu sei que tivemos um problema no começo do semestre, mas você já deve ter notado que eu tenho me esforçado. Eu estou com 29 pontos em 70. Vamos fazer assim, se eu tirar 30 pontos na prova final (que valia 30) o senhor me dá um ponto? Assim o senhor não precisaria me ver no semestre que vem.

- Nón. Já dize que nón aceito aluno chorón. Nón tem ceito. Vai ter que repetir no prórrimo semestre.

- Sério professor, não tem jeito mesmo? Eu vou me esforçar pra fechar a prova final.

- Nón. Já dice.

- Então faz um favor. VTNC seu panamenho de &5¨*&...

E por aí foram mais 10 minutos de palavrões pra ele. Fui à reitoria da faculdade reclamar que ele danificou um patrimônio meu e disse que era um péssimo professor.

Atitudes infantis, eu sei, mas era o que poderia fazer com 20 anos de idade.

Tomei bomba na matéria e, como disse, só paguei no 10º período.

O detalhe é que eu não sabia que o destino iria virar esse jogo. E quando aconteceu, não pensei duas vezes.

Era hora da vingança

(continua...)

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