quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Imagine


Muitas pessoas possuem um trauma de infância. Algo que marcou negativamente seus momentos de criança...

Aranha? Altura? Barata? Cobra? Não, meus amigos. No meu caso a situação é bem inusitada. No bairro em que fui criado existem alguns “ícones”, pessoas conhecidas por todos, vistas nas ruas, famosas por causa das singularidades.

John Lennon... Um ícone da música mundial, um mito para muitos. Mas estremeço até hoje quando escuto este nome, mesmo gostando de Beatles.  O diálogo que virá a seguir aconteceu a 20 anos atrás mais ou menos:

- Ló, cuida do Dezinho que eu vou ao supermercado.

- Vovó, eu quero ir com você!

Minha querida vovó me olhou com aquele olhar afetuoso, respondeu:

- Levo, mas não vou comprar danoninho e nem aquele biscoito do fofão, ok?

Que pena... Queria alguma coisa, mas respondi balançando a cabeça positivamente, pois sabia que salvaria pelo menos um chocolate Lollo (era bom demais).

Fomos subindo a rua. Eu estava feliz por está passeando com minha avó. Aquela sensação de saber que quando chegar ao supermercado ela me colocaria dentro do carrinho de compras, era muito divertido.

- Ei... Ei... Menino! Hihihihi! Vem cá!!

Foi um susto danado, olhei para aquela cara assustadora. Barba e cabelos enormes,  boné, roupa suja, bota, jeito de andar muito esquisito (pernas abertas, tipo faroeste) aquele olhar que transmitia loucura...

Fui para trás da minha avó, seria o “homem do saco”? Mas eu estava sendo obediente. Comecei a chorar em prantos.  Fiquei pensando como que seria o desfecho daquilo tudo, eu e minha avó morreríamos?

- Sai John Lennon! Ta assustando o menino!

Mulher corajosa essa minha avó! Defendendo seu netinho do ataque de um sequestrador de crianças.

- Hihihi...

E o John Lennon foi saindo gritando e rindo.

Acabara meu dia, não tinha mais vontade de nada. John Lennon, depois dessa situação, foi meu trauma por muitos anos, só depois dos meus 15 anos eu fui me adaptando.

Até hoje ele vaga pelas ruas do meu bairro e confesso que eu desvio o meu caminho até hoje, sem medo, só mantendo o costume. 


Bruno Farnese. Relações Públicas, filho de Roberto e Kátia. Adorador de carne e cerveja, odeia azeitona, perder no xadrez do avô ou na peteca da avó. Gosta de tentar escrever nas horas vagas. Reclamações e sugestões? Você pode segui-lo no Twitter @bfarnese ou no Facebook.

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