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| Roll up, roll up from the Mistery Tour |
Como disse aqui uma vez,
estou fazendo um curso
preparatório para concursos e isso tem me privado da vida social, afinal, saio
do serviço e vou direto para assistir às aulas, que são diárias e no período
de 19 às 22:15.
Depois da aula, vou para
casa e chego por volta das 23h, me restando apenas tomar um banho e rastejar até a cama, na qual às 06:15 eu levanto e vou
trabalhar, reiniciando o ciclo. Este é meu
mundo e minha rotina de segunda à sexta.
Estou acima do peso, talvez em virtude do meu vício, ou talvez em virtude de alimentações no passado recente, e
como vocês viram acima é meio complicado eu encaixar uma atividade física na minha rotina.
Pela razão acima, (além de
motivos financeiros) resolvi que não iria usar o carro e usaria
apenas uma das váááááárias opções de transporte público
que Belo Horizonte
(IRONIC MODE) proporciona, qual seja, o ônibus, que até
já rendeu um pequeno conto aqui.
E andar de ônibus, amigos, é uma das melhores experiências que a vida te proporciona. É no ônibus que você entende como
chineses são
malabaristas, já que
todos nós temos que
nos equilibrar carregando mochila/bolsa/sacola/livros enquanto segura o
balaustre do veiculo e firma o corpo nas curvas que o motorista faz. Isso tudo, sem esbarrar na
dona que está sentada
e dormindo na sua frente.
A modalidade malabarística
acima tem um
agravante na época de
chuva. Porque você faz tudo aquilo acima, segurando um guarda-chuva/sombrinha molhados e em
uma temperatura 10 vezes maior, já que as janelas estão fechadas. Aquele alemão de bigodinho teria inveja dos ônibus às 07/08 da manhã nos períodos de chuva e certamente os utilizaria como método de tortura.
Mas eu descobri uma
experiência ainda mais emocionante do
que ônibus na manhã: ônibus depois das 22hrs! Isso sim é emoção!
Quem nunca andou de ônibus depois das 22:00 não sabe que aquele veiculo consegue atingir a velocidade de 100 km por hora. Você nunca sabe se
a natureza está
chamando o motorista para
as necessidades especiais naquele exato momento ou se é
a última viagem que
ele vai fazer na vida e quer acabar logo com aquilo. O fato é que motorista depois das 22hrs, é tipo o Pateta quando assume o volante naquele desenho:
E além da emoção de chegar com
vida ao destino, porém
com joelhos e ombros roxos de tanto chacoalhar no ônibus com as freadas e curvas
bruscas, a gente tem
o prazer de verificar como o ser humano é. Nas segundas e
terças, parece que você está em ônibus que vai para um velório, pois ninguém conversa. É aquele silencio. Pessoas
com expressões tristes e trocador cochilando. Quarta e quinta
feira, já melhora. Aí
já vimos pessoas
falando ao celular e o trocador conversando com o motorista. Mas na sexta! Ah, as
sextas! Sexta parece
que é boate. Pessoas conversando, rindo
e algumas até bebendo
latinhas de cerveja. É dia da alegria.
E ontem, em plena quarta-feira, me surpreendi
quando voltava pra casa.
Como sempre faço, sento e
começo a mexer no celular
no facebook e no twitter, com fones nos ouvidos escutando músicas relaxantes,
tipo ACDC. Estava
tudo caminhando como todos os dias, quando vi duas meninas sentadas no banco da
frente e uma outra amiga delas, sentada no lugar do corredor no
banco ao lado, conversando, e aparentavam ter uns 20 anos no máximo.
Então, essa menina que estava sentada sozinha no
banco, vira para suas
amigas que estavam no
banco ao lado e solta essa bomba:
“Quer fazer seu
homem feliz, passe bacon na sua bacurinha! Você vai ver a
felicidade dele e vai sentir um prazer inesquecível”
Pronto. A frase do ano
chamou minha atenção. Nem
a Marta Suplicy e nem a menina do Altas Horas dariam uma dica dessas. Achei até que ela era responsável pelo perfil do twitter
Dicas de nova.
Mas aí, a menina continuou dando
dicas de relacionamento.
“Olha, se você quer ser uma mulher diferente, tem que se misturar no campo do seu homem. Mas tem que dar um espaço para ele também. Tipo assim, se ele gosta de vídeo-game e ouvir funk,
jogue vídeo-game com
ele e dance funk com ele. Mas não por
mais de 2 horas, porque senão ele cansa de você”.
E, em seguida, veio a frase
que desmistificou a arte
milenar da dança do ventre.
“Procure saber
as fantasias sexuais dele. Um dia eu vesti de odalisca e comecei a tirar o véu. Só que o FDP começou a rir e eu fiquei com raiva. Mas aprendi que temos que
ter cuidado. Na vez seguinte, vesti de enfermeira e foi bem melhor”
Pena que elas desceram no ponto em seguida. Estava curtindo demais as dicas e até tentei gravar um vídeo para mostrar para a
patroa, mas a bateria tava baixa.
E quando pensei que meu retorno para casa voltaria a
ser um tédio, um sujeito que estava ao lado do cobrador, grita:
“Ô motorista,
quer cagar meu filho? Para de correr. Em nome de Jesus! Tá amarrado
pelo capeta!”
Bom, achei que era só um bêbado né? Mas nãããããããão! Porque dois pontos depois, quando ele desceu, começou
a atirar pedras no ônibus e gritava:
“O motorista tá possuído! Saí capeta! Saaaaaaaaaaaai daííííííííí”
O motorista assustado arrancou e foi embora. Correndo mais ainda, é verdade. Mas tava rindo. E eu também.
Descobri que
tinha sido a volta pra casa mais divertida de todos os tempos da última semana. Dei o sinal para descer
e...
De repente, levanta uma menina que tava até babando no vidro de tanto
que dormiu e começou a puxar a corda para dar o sinal, só que como eu já tinha feito isso, não adiantava.
Ela não percebeu e começou a puxar a corda
enlouquecida.
“Ô motorista eu vou descer viu. Não to conseguindo dar sinal, mas eu vou descer...”
“É porque alguém
já deu sinal, dona”
Então ela viu que eu tinha dado sinal. Mas viu que ainda não era o ponto dela. E simplesmente, sentou e dormiu de novo.
Pena que eu
desci do ônibus e não acompanhei essa viagem até o fim.
Mas mal posso esperar para voltar
pra casa hoje.
Guilherme Cunha. Ex-advogado. Futuro escritor. É apenas mais um trabaiadô,doutô. Mais um nerd gordo que acha que é blogueiro. Apreciador de boa cerveja, boa música, boa conversa e de paciência Spider. Melhor jogador de War com as peças verdes. Siga-o no twitter: @guijermoacunha


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