sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

O Peso do Samba - parte final.


(para ver a parte anterior, clique aqui)

Jorginho saiu da roda de samba sem dizer nada, sem olhar para ninguém. Foi em direção à beira da piscina, ficou embaixo de uma tenda, sentado, pensativo e com óculos no rosto para não deixar ninguém desconfiado. Até parece que só aquilo iria bastar, Vanessa o conhece como ninguém.

- Amor...

- Unh...

- Que foi?

- Nada não, dor de cabeça, vai passar... Parei de beber, vai melhorar...

- Te conheço, Jorge Augusto dos Santos.

- Amor, vai lá tomar sol, vai...

- Viuuuuu!!! Te conheço, hahaha....

- Tá bom, deixa pra lá, é besteira.

Ele percebeu o olhar dela e estava ciente que se eu não abrisse um pouco o jogo, ela não sairia dali.

- Ta ok... É aquele babaca ali, to puto com ele... Ele me deixou com raiva e não quero falar sobre isso, só to deixando você a par...

- Eu sei o que você vai dizer, que se tiver uma briga eu tenho que está ciente que você está com a razão... Mas aqui não, porque...

- Eu sei. É lógico que não estragaria a festa do Jonas, nem eu conseguiria me perdoar se acontecesse...

Ela acenou positivamente a cabeça e o beijou, Jorginho sentira um ar de compreensão, “é uma companheira perfeita” pensara o rapaz cabisbaixo...

- Jorginho! 

Jonas chegou correndo , transbordando felicidade

- Fala cara... como é que tá? Aproveitando a festa?

- Chegou a hora... vamos!

- Quê? Mas... – Antes de Jorginho acabar de falar Jonas o puxou rapidamente.

- Vamos pra onde, parceiro?

- A pelada vai começar lá no campinho! Vamos...

Campinho? O que se via ali era um gramado cheio de cupinzeiros, com algumas partes repletas de plantas espinhosas, ou seja, um campinho no meio da roça... “Tudo bem, vamos mostrar o futebol arte”...

- Ta tudo bem pra você? – Jonas perguntou ao Jorginho, sabia que seu amigo tinha um problema no joelho e tinha que jogar moderadamente, sem exageros...

- Tranquilo, fico só na banheira...

E a bola rolou... 10 para cada lado em um campinho pequeno. Era uma bagunça danada, mas pelo menos estava engraçado... Jorginho, sem modéstia, sabia que jogava bem apesar do “corpão” que tinha e sentia-se um Maradona atual.

- Toca! – pediu ao goleiro.

- Vai Jorginho, é sua!

Ele pegou a bola em sua área (seu domínio era de craque mesmo) e sabia o que tinha que fazer. Passou de um marcador tranquilamente, depois outro, e parou a bola, olhou para frente com intuito de lançar, mas não se lembrou de um detalhe importante: Cupinzeiros. Sim, meus amigos, aconteceu isso que vocês imaginaram...

- Ai!!!!

O time rival pegou a bola e fez o primeiro gol da pelada...

- Jorginho, que isso cara... Que azar...

- É Jorginho, quer sair? Acho que você não vai agüentar continuar...

Jorginho tinha machucado o seu pé e torcido o seu joelho ”bichado”...

- Ta doendo demais, bicho... Mas vou continuar...

Jonas abriu um largo sorriso, viu que seu amigo não mudara nada, era um fominha por futebol desde pequeno...

- Jonas, ficarei ali na meiúca, é só tocar que eu vou distribuindo o jogo, tranquilo?

- Ok... Vamos lá...

- Espera Jonas! - Julio, seu cunhado gritara antes da saída de bola - Substituição do nosso time... Tá saindo o Chico para o Jê entrar...

Automaticamente o semblante de Jorginho fechou, ele olhou para os lados, duas pessoas sabiam do ocorrido: A Vanessa, que estava vendo a pelada, e seu primo Lucas que o olhou de relance e tentara transmitir uma mensagem pelo olhar, “Calma, é só uma pelada...”

-Ok, vamos !

Jonas tocou para o Lucas, que foi levando a bola para a linha de fundo, passou do primeiro marcador e recuou para o Jorginho, que estava na entrada da área. Jê veio de primeira, ingenuamente, e Jorginho passou facilmente, e quando estava entrando na área, recebeu um puxão, mas não parou, e tentou continuar segurando seu instinto de não deixar o braço na cara de quem tava puxando, ele sabia quem era... Perdeu a bola e não foi marcado a falta, ótimo... Escutou um risinho de malandro, “Deus, não deixa ele repetir a ofensa novamente” pensou Jorginho, com raiva, mas controlado...

O joelho doía muito e o pé mais ainda... Será que conseguiria continuar?

O seu time percebeu que ele não tava aguentando muito e pararam de tocar para ele, o que o deixava muito puto pois, mesmo sendo apenas uma pelada, ele sempre entra para ganhar e não seria diferente...

Pediu a bola, Jorginho lançou para o segundo gol do seu time, mas seu pé doeu muito, já estava a ponto de pedir para sair. Até que aconteceu.

- Iiiiii... Passei de um, iiii, passei de outro, time ruim demais...

O tal do Jê tinha roubado a bola e começou a driblar os meninos menores do time de Jorginho, como se fosse o Pelé. ”É um trouxa mesmo”. Foi aí que o capetinha sentou no ombro do Jorginho “Vai lá, dá uma botinada no cara...”. Mas o anjinho apareceu e sentou no outro ombro “não, você vai se arrepender, seu joelho est...”. O capetinha logo cortou “não escuta esse viadinho que usa vestido e com asas, futebol é para homem!”.

E o anjo desistiu. Automaticamente, Jorginho deu um pique que a muito tempo não dava, marcou firme o Jê, que percebeu e tentou fazer gracinha, Jorginho estava decidido.

Foi mais ou menos assim. 
 Aiiii! Pqp...

Uma canela foi o alvo, Jê sentiu o inchaço na hora e sangue escorreu, e olha que todos estavam descalço.... Sim, descalços... O Feitiço virou contra o feiticeiro, mesmo fingindo em poucos segundos que não sentiu nada, Jorginho não agüentou e acabou com seu pé de vez. Foi andando para a saída do campinho com cara de triunfo, mas não conseguiu manter a postura...

- Pqp, Vá... Ta doendo demais...

- Que foi?

- Desde o começo da pelada tá doendo...

Vanessa olhou para o campo. Viu o Jê gesticulando para alguns rapazes e entendeu que ele havia machucado mesmo. Foi até Jorginho, que estava sentado morrendo de dor.

- Você não tem jeito, né?

- Não poderia perder a oportunidade... Vingança! Ai... Pega um gelo pra mim, fazendo favor...

“Aiai viu? Ainda bem que sou mulher...” disse Vanessa que, mais uma vez, obteve um exemplo de como que homem é tudo bobo e inconseqüente... 


Bruno Farnese. Relações Públicas, filho de Roberto e Kátia. Adorador de carne e cerveja, odeia azeitona, perder no xadrez do avô ou na peteca da avó. Gosta de tentar escrever nas horas vagas. Reclamações e sugestões? Você pode segui-lo no Twitter @bfarnese ou no Facebook.


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