Ele estava perdido. Ou melhor, achava que devia estar perdido.
Afinal, a informação que recebeu era de que era embaixo daquela escada vermelha. Mas com aquela iluminação parcial da
Lua, não tinha
certeza se realmente aquela escada era vermelha.
Olhou para os lados e
estava com a sensação
de que seria pego em flagrante. E sentiu aquele frio na
barriga.
Como contaria para sua família? E se o
pessoal do serviço descobrisse?
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| - Ei, psiu! |
- Oi.
- É você que tá querendo a parada?
- Depende. Que parada?
- Nada, esquece.
- Peraí, volta aqui. Essa aqui é uma
escada vermelha né?
- É o que parece.
- Você é o cara que vende o m...
- Sim, sou eu.
- Nossa. Que susto que você me deu... Ainda mais saindo das
sombras assim...
- Cara, tem que ser rápido. Você tá com o
dinheiro aí?
- Tô. Tá aqui...
- Ei, não vira pra cá não. Vai chamar a atenção.
- Foi mal.
- Seguinte. Ao lado daquela lata de lixo ali, tem um maço de cigarros.
- Onde que..
- Já disse pra não
olhar pra cá, porra! A lata tá ali no seu lado direito.
- Ah, agora eu vi.
- Então. Ande devagar até lá. Aí você pega o maço e abre como se procurasse cigarros dentro. Discretamente, você coloca o dinheiro lá. depois coloca o maço no chão de novo. Vou ficar
olhando. Se você seguir tudo direitinho, você volta aqui
e enfia a mão nesse
buraco que está ao
seu lado esquerdo...
- Tudo bem... Nossa, obrigado mesmo. Você sabe como está
difícil arrumar isso hoje em dia, não sabe?
- Sei, por isso eu vendo.
- Eu sei. Desculpa, mas é que to nervoso. Minha família nem imagina. Minha mulher me mataria, fala que faz
muito mal a saúde.
- Isso é coisa da mídia. E
interesse do governo.
- Eu sei.
- Então vai lá e coloca o dinheiro. Passar bem.
- Obrigado, você
também. Posso te
encontrar aqui na próxima
vez que eu vier?
...
- Hein, posso?
E então não
obteve resposta. Viu
que ele já tinha
sumido. Agora era com
ele.
Tremendo de
tão nervoso que
estava, seguiu o determinado. Achou o maço de cigarros e colocou o dinheiro, deixando no chão
novamente. Depois voltou ao lugar e
enfiou a mão no
buraco a sua esquerda, mas não encontrou nada.
Tinha sido enganado, não era possível.
Pra piorar, um cara chegou chutando o maço com o dinheiro.
Realmente tinha sido enganado.
Já estava indo
embora quando escutou um barulho de lata caindo. Será que era um
sinal?
Enfiou a mão no buraco, mas nem precisava saber o que estava lá. Já podia sentir o calor...
Estava tão
nervoso que até
suava... e enfim,
estava lá.
Ele então retirou o volume que estava embrulhado em um saco plástico e abriu. Olhou para os lados para agradecer, mas não viu ninguém.
Das sombras, o vendedor viu o
sorriso no rosto do seu comprador. A alegria
estava estampada. E ficou admirando a felicidade dele até ele sumir no meio das arquibancadas. Porém, não podia ficar
muito tempo ali, pois tinha mais “tropeirões” pra fazer.
Tropeiros assim.
Para entender o motivo do tropeiro antigo ser vendido na sombras, veja o novo aqui.
Guilherme Cunha. Ex-advogado. Futuro escritor. É apenas mais um trabaiadô,doutô. Mais um nerd gordo que acha que é blogueiro. Apreciador de boa cerveja, boa música, boa conversa e de paciência Spider. Melhor jogador de War com as peças verdes. Siga-o no twitter: @guijermoacunha

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Guill... Adorei o texto meu velho... continue assim que você vai longe... Abraços do seu velho amigo JP!
ResponderExcluirValeu cara, valeu mesmo.
ExcluirBom saber que você tá acessando aqui!
Grande abraço