Que minha namorada bancária não leia este texto, mas tenho que
dizer uma coisa: Banco é coisa do capeta.
É só ver no mercado. Tem um aí que é vermelho, patrocina o carro do Felipe Massa na F1,
e até no símbolo demonstra que é coisa do capeta, pois tem o fogo do Inferno, já
repararam?
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| O diabo é o pai do rock e dos bancos |
Mas o meu problema com bancos é bem anterior a minha
namorada. (Não, eu não tenho problemas com minha namorada, se assim você
entendeu).
E nessa época de fim de ano, acho que as coisas pioram. Não sei se é a
vontade de quitar dívidas, se é o 13º salário, rir da cara dos gerentes ou
masoquismo, mas os bancos em dezembro lotam.
Por isso, deixei para ir ontem, primeiro dia útil do ano.
Graças a Deus, perto do ponto no qual pego o ônibus
para ir pro trabalho,
tem uma agência do banco em que tenho conta. E todas as vezes que eu preciso fazer algo, vou lá cedo, no
caixa eletrônico vazio, e depois vou trabalhar.
Porém, fiz a inscrição de um concurso e tive que pagar
no caixa do banco. E não tinha escolha.
No primeiro dia do ano fui à missa. Rezei e pedi a
Deus para me dar paciência. Confessei meus pecados e pedi sorte no dia
seguinte. Maaaaaas, esqueci que não existem bancos no céu e que Deus desconhece
uma instituição financeira.
E na porta do banco já vi que deveria ter acendido uma vela pro Belzebu.
- Senhor, não é permitida a entrada de metais.
- Já tirei celular, Ipod, chaves, moeda, relógio e a
obturação do meu dente.
- O senhor deve ter algo de metal aí.
- Tenho o exoesqueleto de adamantium, igual o Wolverine sabe? Não tenho como tirar.
- Então não posso permitir.
- Cara, é brincadeira. Eu não tenho garras que saem das
minhas mãos.
- To vendo que o senhor tem um escapulário de metal.
- Pronto, tirei meu escapulário de metal (????)
- Ok, pode passar.
E vi que o vigilante estava com um controlezinho no
bolso e que estava fazendo hora com minha cara na porta giratória.
"Dane-se", pensei e fui pra fila do caixa.
Coloquei os fones do ouvido e comecei a ouvir música.
Até tentei acessar a internet no celular, mas os vigilantes falaram que não podia usar
telefone. Até tentei argumentar que estava no orkut, mas não sei porque ele não acreditou. Aí sobrou olhar pro resto do banco e esperar minha vez.
E 15 minutos depois, enfim, o momento chegou.
Tinha dado dois passos. Faltavam só 30 pessoas na minha
frente e com fé, eu conseguiria sair dali e correr pra fazer o concurso de uma vez. Pelo menos eu estava com caneta e identidade...
Até que, mesmo tudo caminhando na velocidade do Barrichello, escuto vozes (estava com fone de ouvido, lembra?).
- E aí cara? Beleza?
- Bom demais e você?
- Tudo bem.
- Que bom.
Eu não fazia ideia de quem era aquele cara. E esperava
alguma reação dele, pois ele aparentemente me
conhecia.
- E o pessoal da sua casa, tudo bem?
- Tudo bem, graças a Deus.
- Que bom. Muito tempo que não te vejo hein Ricardo. Precisando aparecer mais hein?
Aí eu vi que ou ele estava me confundido ou estava propositalmente
conversando comigo para entrar na minha frente.
- Pois é.
- E aí? Veio pagar uma conta?
- Não. To aqui no banco porque fiquei sabendo que tem
café de graça. Aí tô aqui na fila fingindo que tenho uma conta pra pagar para pegar café.
- Sério?
- Que eles servem café de graça? É sério.
- Não, é sério que você está aqui pra isso?
- Não né. To te enchendo.
- Ah tá. E seu casamento como anda?
Nem casado sou. Ainda. (Minha namorada lê meus textos, precisa ter esperança) (Quer dizer, acho que lê...)
- Nossa, tá bom demais. Sabe como é a patroa né?
Ninfomaníaca. Um dia
desses ela cismou que queria um ménage a trois. Levou uma amiga dela para
cama. Mano, você não tem noção...
- Que isso cara! Que doido!
- Pois é. Mas e você?
- Que que tem?
- O que você tá fazendo aqui?
- Ah, vim pagar essas contas. E seu time hein?
Percebi que ele ia emendar um outro assunto. E eu precisava acabar com isso...
- Bom, tá aí. Cara, se eu fosse você, entrava na fila logo
senão você não sai daqui hoje.
O cara ficou sem
graça
- É verdade. Abraço viu Rodrigo. Bom te ver.
- É Ricardo.
- Oh, é mesmo. Bom te ver Ricardo.
E o cara foi embora. Depois de uma hora e meia (e de ouvir 3 discos inteiros dos Beatles), paguei
minha conta e fui embora.
Mas ainda não sei se chamo Guilherme ou Ricardo.


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