- Amor...
- Oi querido...
- Eu sei que estou gordo, mas está aceitável?
- Para com essa besteira, já te disse q eu te amo
de qualquer jeito!
Este diálogo era constante entre Jorge e Vanessa.
Oito anos de namoro, 30 kg
foram creditados num corpo de 1,68
m de altura, uma batalha que, aparentemente, não tem
fim.
Num belo dia, Jorge resolveu entrar numa academia e
animou sua querida namorada a acompanhá-lo, afinal de contas mulher é muito
mais cismada com peso do que homem.
- Spinning todos os dias, musculação 3 vezes por
semana. É isso mesmo?
O responsável pela avaliação física estava
impressionado com aquele guerreiro que estava parado diante dele, era muito
exercício para um corpo de 1,68
m de altura e 105 kg ,
Mas nem sempre foi assim, Jorge teve sua fase de
corpo atlético, não sabe o que o fez para sair da linha e virar um troglodita,
seu humor vai aos extremos só por causa desta guerra com a balança.
Um mês com uma dedicação maravilhosa, sua ansiedade
era enorme para ver seu novo peso.
- O quê??? Não é possível... 2 kg em um mês.. *&¨%@$,
vai pra *%#$... não vou fazer mais porra nenhuma!
A revolta tomou conta do rapaz, seu temperamento
chegou a ser um desafio para todos que o rodeiam... Seus problemas familiares
eram os mesmos, mas parecia que tinham piorado para ele, tudo estava ruim...
Como pode uma pessoa ficar tão preocupado com isso? Sim, meus caros, e não é só
aparência que estava em pauta.
A saúde estava também.
Passaram-se duas semanas e chegou o réveillon. E
estava às vésperas do casamento do melhor amigo do Jorge, o Jonas.
- Fala Jorginho! Quanto tempo, cara... Deu uma
emagrecida?
Aquela pergunta foi como se fosse uma promoção no
serviço para o Jorginho, ele não acreditara no que ouvia...
- Fala Joninhas, pô cara... Você achou mesmo? Não
fiz nada, to comendo do mesmo jeito...
Era mentira, por mais q ele extrapolava na comida
de vez em quando, sempre foi um vigilante que não merecia aquele corpão todo.
- É sério... isso aí...
E assim foi a semana toda, super bem, ajudando nos preparativos
do casamento e curtindo um reveilon em sua terra natal com uma parte querida de
sua família, Jorginho estava num mundo paralelo, sem se preocupar com os seus
problemas de maneira geral. Mas aí que tá, lei de Murph existe, sempre tem um
filho da puta que sente prazer em chegar em você e dizer “tá gordo hein!” ou
“precisa emagrecer, bicho” ou sempre tem aquela senhorinha “nossa, que fofinho
né?” , desperta uma raiva monstruosa.
Chegou o dia do casório, hora de... Colocar terno
de manhã? Pela primeira vez Jorginho sentiu vontade de matar seu amigo, “filho
da mãe, pra quê inventar moda de marcar casamento às 11 horas da manhã, num
calor desgramado? E pra piorar, só os padrinhos são obrigados a usar este traje
de pinguim..” Gordo, naturalmente, sente mais calor, adiposidade é um tipo de
isolante térmico para quem não se lembra das aulas de biologia.
O casamento transcorreu perfeitamente bem, tudo
certo, chegou o momento mais esperado: a
festa em um sitio alugado. Almoço que prometia; Cerveja gelada, aquele almoço
esperto, todo mundo trocando os trajes para um mais confortável, um sambinha
rolando, melhor do que isso era impossível. Todo mundo estava feliz, ficaríamos
de sábado para domingo no sitio, e a festa iria continuar.
Domingo de manhã, Jorginho foi tomar banho. Ele se deparou com outro inimigo que não era
a balança. Havia um espelho enorme no banheiro do sitio. É legal que todo mundo
saiba que muitos gordos não gostam de espelho, pois não precisa ser lembrado da
gordura que o envolve. É a mesma coisa no motel com aquela merda de espelho em
cima da cama, Jorginho achava que aquilo era a coisa mais desnecessária do
mundo, ele fica imaginando a Vanessa sendo obrigada a ver aquela bundona
branca, enorme e peluda .
Despiu-se, ficou analisando aquela barrigona de
chopp e começou a ter sua crise temperamental. Colocou a roupa, participou da
primeira resenha, que é a do café da manhã.
- Vamos aproveitar o sol, vamos para a piscina... –
Disse Vanessa para a turma reunida na mesa.
Jorginho foi, pois, só tinha amigos íntimos ali e
as pessoas desconhecidas chegariam na hora do almoço, quando começaria o samba.
Ah, o samba... Jorginho já participou de um grupo de samba e pagode como
colaborador, mas não tocava nenhum instrumento, isso o incomodava porque a
galera sabia que ele era um sambista nato, mas não tocava nada.
- Aê Jorginho, precisaremos de você na roda hoje! Estamos
desfalcados e você toca o tan-tan aí é tranquilo... – Marmita, o cantor amigo
de Jonas que iria puxar o samba intimou o gordinho em apuros.
Mais essa agora, Jorginho começou a pensar em sua
reputação, não poderia recusar, só acenou positivamente a cabeça.
Chegou a turma e o banjo e o cavaco a postos,
pandeiro e repique de mão também. De repente empurraram um tan-tan para
Jorginho... “Agora foi-se”. Se em estado normal ele não tocava bem, imagina com
cachaça na cabeça.. Sentou-se ao lado do cavaco, chegou um tal de Jê para tocar
um chic chic ao seu lado, a principio Jorginho não tinha nada contra o Jê, até então...
Começou aquele sambinha, Jorginho jogou toda sua reputação
no lixo, viram q ele não sabia tocar nada, passou para o tal de Jê o tan tan e
ficou com o chic chic. E o samba rolando e ele se virando, chamaram para ele
puxar algumas musicas, mas não era cantor também. Então, para seu alivio, um
cara do grupo chegou, estava pedindo o tan tan :
- Ei amigo, pede o tan tan aí para o rapaz ... –
apontou para o Jê
Jorginho pensou “serei útil pela primeira vez”:
- Ei Jê,
entrega o tan tan para o camarada aqui...
- ah... vai se fuder, o gordão!
Foram as palavras que feriram o Jorginho mais que
uma facada. O ódio por aquele cara surgiu instantaneamente, “isso não vai ficar
assim” pensou ele..
(continua...)

Bruno; perder no xadrez,do avô... compreende-se.
ResponderExcluirperder na peteca da avó????