Dia desses fui a padaria ao lado do serviço buscando aquele pão de queijo nosso de cada dia.
Entrei na padaria e pedi doispãdequejpálevá (dois pães de queijos para levar, para quem não fala mineirês) e aguardei a simpática atendente embrulhar o pedido.
Porém, como já dito aqui e aqui, eu atraio atendentes que fariam inveja ao
Barrichello. Imagino
até a sorte da família dessa moça, recebendo ovos de páscoa durante as festas
juninas, ou as pobres crianças recebendo a visita do Papai Noel em plena segunda de carnaval ou a própria moça vestida de
diabinha, com confetes e serpentinas na mão,
enquanto as pessoas malham o Judas no Sábado de Aleluia.
E nesse ritmo baiano, estava aguardando os pães de queijo e olhando o
preço do Toddynho e me indagando o porque que a Dilma ainda não decretou que vendê-los sem canudo é crime hediondo quando visualizo, pelo vidro do freezer, uma pessoa de
cabelos grisalhos, compridos, com nariz grande e com um capa preta se arrastar e aproximar
de mim.
Obviamente, senti um frio na espinha.
- Com licença.
- Pois não.
- Posso falar com você? (era bem parecido com a foto acima)
- Não, na verdade não quero nenhuma maçã não. Aliás, nem suco de maçã viu?
- Oi?
- É. É porque não gosto de
veneno sabe? Acho que é alergia...
- Moço, não tem nada disso. Queria te convidar para
fazer uma oração.
- Eu não gosto de maçã. É uma Oração
Subordinada Adversativa Negativa.
- Err.. Não to entendendo moço. Você tá bem?
- Tô, quer dizer, acho que to. Na verdade eu to com fome. Tenho até que buscar meu pão de queijo ali.
- Você não tá bem. To vendo nos seus
olhos que não está bem.
- Isso é sono mesmo. Tá vermelho assim porque dormi pouco. Não é nada que você tá pensando viu?
- Eu sei. É na sua áurea. Ela tá pesada.
- É, to meio gordo mesmo. Mas já emagreci 1 kg em 1 mês...
- Não é isso menino. Você está com áurea negativa. Posso fazer uma oração? Vou invocar alguns
antigos espíritos pra
te ajudar...
- Munrá?
- Oi?
- Você é o Munrá? Vai invocar os antigos espíritos do mal pra transformar essa forma decante
em Munrá? Eu sei que to meio encurvado, cansado, olhos fundos
mas não é necessário.
- Menino, isso é droga?
- Já disse que
dormi pouco e por isso o olho tá vermelho...
Eu já estava quase pegando um pão qualquer e gritando “Thunder,
thunder, ThunderCats” ou pedindo visão alem do alcance com uma
bisnaga entre os olhos, mas o dono da padaria chegou.
- Batoré! Sai fora, deixa o rapaz.
- Mas mestre, ele tá possuído. Tá com demônios mestre!
- Eu sei, eu tomo conta dele. Pode ir...
E do mesmo jeito que entrou, o tal Batoré saiu. Arrastando uma perna e com a capa preta até os pés. Ainda virou o rosto novamente para mim, mas olhei
para o vidro do freezer com medo de ser petrificado.
- Desculpe Guilherme. Esse é um doido que vem aqui buscar pão. Cisma que é bruxo e que vai invocar espíritos. Repara não.
- Que isso Valdemar, tá tranqüilo.
Quando olhei para a atendente (que havia acabado de embrulhar os pães de queijo) ela
me observava com olhos arregalados e assustados.
- Esse povo é doido né? – perguntei a ela.
- É.
Peguei o pacote, agradeci e saí da padaria com a certeza de que a atendente não sabia quem era o doido da história: eu ou o Batoré.
E depois, pensando friamente, nem eu sabia.
Guilherme Cunha. Ex-advogado. Futuro escritor. É apenas mais um trabaiadô,doutô. Mais um nerd gordo que acha que é blogueiro. Apreciador de boa cerveja, boa música, boa conversa e de paciência Spider. Melhor jogador de War com as peças verdes. Siga-o no twitter: @guijermoacunha



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