A culpa de tudo aquilo que estava
passando era do Facebook.
Seu relacionamento ia bem até o dia em que
ela curtiu a página daquele bar sertanejo e isso ele não poderia aceitar,
afinal, podia ser qualquer bar, menos o que toca sertanejo.
Imediatamente, veio a dúvida se ela
ia com freqüência naquele bar ou se a culpa era daquela amiga dela que era
encantada com músicas sertanejas. Até pensou em perguntar, mas desistiu.
Logo depois, veio a curtida na
foto de um cara que ele não conhecia e uma marcação de uma foto dela que ele nunca tinha visto, no
churrasco da empresa, ao lado do mesmo cara.
Por um instante pensou em apagar
a conta naquela rede social, mas o espírito investigativo de um fã de CSI falou
mais alto. Conectado, poderia ver mais fotos, saber de mais coisas.
O estranho de tudo era que quando
estava junto com ela, não percebia diferença. Ela ainda era carinhosa,
sorridente, engraçada e paciente. Mesmo na TPM. E isso o intrigava.
Nas fotos de festas da empresa, o
sorriso era mais saliente. Com as amigas ao lado, parecia até mais atraente. Mas
foi quando viu que aquele cara estava em todas as fotos, é que ficou
descontente.
Mesmo que nos momentos juntos ela
não mostrou nenhuma alteração, o namoro chegou ao fim.
E para ele, isso tudo que estava
passando, por um momento, era culpa do Facebook.
Novamente, pensou em encerrar a
conta. Mas resistiu.
Sofreu muito. Na vida e nas redes
sociais, sejam virtuais ou reais, com os amigos em comum. Mas resistiu e
não sucumbiu.
E foi com essa resistência que
saiu das cinzas. Ergueu a cabeça e seguiu em frente.
Mudou o visual, comprou algumas
roupas e trocou de postura. A vida seguiu.
Até o dia em que postou no
Facebook uma foto de uma viagem recente e percebeu que dentre as curtidas que recebeu, uma
delas era especial.
Pensou que ela havia se enganado ou alguém fez alguma gracinha, mas não pode esconder o sorriso no rosto.
Porém, novas curtidas dela foram
surgindo. Não eram constantes, nem seguiam nenhum critério estabelecido, mas o fato é que,
para ele, as primeiras foram importantes, mas as demais foram angustiantes.
Não deixou de notar que
poderia haver uma tentativa de reaproximação por trás daquelas curtidas e imaginou que o próximo passo deveria ser dele. Porém,
poderia também ser apenas um ato automático de se curtir uma foto interessante ou uma
notícia importante.
Pensou em fazer algum contato de forma impessoal, como um
email, mas achou melhor não. Chegou a digitar uma mensagem no celular, mas não
sabia se o número dela era o mesmo. Cogitou enviar um inbox no Facebook, mas
desistiu.
Percebeu que o amor podia sim ter
chegado ao fim e que existia apenas um ato carinhoso, fraternal, em mostrar apoio
na sequência da vida, mesmo que a distância.
Até o dia em que ela compartilhou
um texto dele no Facebook.
Afinal, não era uma “curtição”. Era
um “compromisso”, pois quem compartilha, “assina embaixo”, concorda com o que foi postado.
Não sabia mais o que queria, nem
o que ela queria com aquilo, nem o que os outros estavam achando de tudo. A única
coisa que sabia era que tinha gostado de receber uma notificação avisando que
ela havia compartilhado seu texto.
E ficou mais feliz ainda quando
recebeu uma marcação logo depois. Correu para o post dela de compartilhamento do texto
e viu uma menina elogiando o texto e ela respondendo abaixo “Elogie o Fulano,
ele é o autor do texto :) ”
Aquilo era diferente.
Seu peito se encheu de coragem e mandou um Inbox pelo Facebook com a certeza de que o amor, quando verdadeiro, não acaba assim. Aquela chama não podia ter se apagado.
Ambos conversaram, marcaram um
encontro, se beijaram, se casaram e estão felizes hoje.
E a culpa de tudo aquilo que
estava passando era do Facebook.
PS: Pode parecer que não, pois não
tem qualquer menção no texto que remeta a isso, mas tive a ideia dessa crônica
ao ver o vídeo (link abaixo) de um senhor de 96 anos que escreveu uma música
para sua recém-falecida esposa. Eles foram casados por 73 anos e a letra da música
é lindíssima. Uma lição de que o sentimento verdadeiro é eterno.
Veja a notícia e o vídeo aqui: http://blog.bytequeeugosto.com.br/viuvo-escreve-musica-para-sua-falecida-esposa/

Nenhum comentário:
Postar um comentário