Era
engraçada a forma como tudo se encaixava.
Ele e
ela ali sentados, à espera de uma garrafa de vinho, se abraçando e se amando.
Para
ele, ela era “Linda”. Para ela, ele era “Sorriso”.
Ela
achava isso engraçado, principalmente porque para seu irmão ela era apenas
“chata”. Para os pais, ela era “futuro”. Para os avós, “esperança”. Para aquela
amiga de infância, “companheira” e para sua vizinha, “arrogante”.
Mas isso
era o que ela sabia. Não tinha nem ideia de que para um colega de trabalho,
tímido e que senta em frente, ela era “sonho”. Para a chefe, “solução”. Já para
a secretária da empresa, ela era “simpática”. Para sua colega de trabalho,
“amiga”, já para a estagiária, era “gente boa”.
Já ele,
na visão dos pais era “de ouro”. Para irmã, “mimado”. Para o vizinho,
“folgado”. Para a menina que morava no andar de cima, e que todas as vezes em
que eles se cruzavam olhava pro chão constrangida, era “desejo”.
Ele só
não sabia que, para o chefe era “esforçado”. Para o colega de trabalho,
“invejoso”. Para seu estagiário, “manso”. A secretária o via como
“interessante". O faxineiro, “educado”.
Entre
ambos, era curioso que ela se achasse “romântica” e ele se definisse
“apaixonado” já que ele cismava que ela era “teimosa” na maior parte do tempo e
ela gritasse o quanto ele era “irritante”. Mas no fim, se resolviam.
Ele não
sabia, mas para o ex-namorado dela, a quem ela deixou, era “lembrança”. Mas
tudo bem, afinal ela também não sabia que para a ex-namorada, que o deixou, ele
era “passado”.
O
garçom, enfim, traz a garrafa de vinho e o deixa experimentar. Mas ele não
gosta, diz que é muito forte e pede um mais fraco. Ela o considera “entendido”,
ele pensa que é “preocupado”, mas ambos não sabem que o garçom o considera
“fresco”.
O
celular dele vibra, recebendo uma mensagem de sua mãe. Ela acha a sogra
“protetora”, enquanto ele define a mãe como “insistente”. Mas ambos nem tocam
no assunto, pois ele não quer que ela saiba que sua mãe a considera “espaçosa”,
ao contrário do seu pai que a considera “simpática”. Ela nem imagina que os
sogros a vêm por esse prisma. Pois acredita que aos olhos deles, ela é “ideal”.
Só acha que a cunhada, que a considera “atrevida”, não goste muito dela.
Ele
responde a mensagem da mãe, guarda o celular no bolso e volta a dar atenção a
ela. Mais abraços e beijos até que o garçom traz o novo vinho. Este passa a ser
“ótimo”, enquanto ele passa a ser “exigente” aos olhos do garçom.
Vinho na
mesa, conversas fluindo bem até ela falar sobre o aniversário da mãe com ele.
Ele até achava a sogra “gentil” – embora achasse o sogro “estressado”, mas não
queria ir à festa por causa do “arrogante” cunhado.
Ela não
quis contar que o cunhado o considerava “desleixado” demais, nem que a mãe não
era tão “santa” assim, pois o considerava um tanto quanto “estagnado”. Por
incrível que pareça, o pai dela o considerava “inteligente”, mas também achou
melhor não contar para ele não ficar se achando.
Entre
mais taças de vinho, acompanhadas dos beijos e abraços daquele casal, as
pessoas ao redor olhavam.
A moça,
da mesa ao lado, achava que eles eram “fogosos” demais. Enquanto o casal da
mesa atrás os considerava “aparecidos”. Um dos garçons achou que ela era
“gorda”, enquanto o gerente acreditava que ele era “rico”.
Conta
fechada. Ele quis pagar para ser “cavalheiro”. Mas ela não aceitou e dividiu,
pois é “justa”. O gerente apenas agradeceu e considerou aquele casal bem
“generoso”. Despediram-se e todos se consideraram “satisfeitos”.
E sem se
importar com os rótulos que todos atribuem a todos, foram embora.
“Felizes”.
Guilherme Cunha. Ex-advogado. Futuro escritor. É apenas mais um trabaiadô,doutô. Mais um nerd gordo que acha que é blogueiro. Apreciador de boa cerveja, boa música, boa conversa e de paciência Spider. Melhor jogador de War com as peças verdes. Siga-o no twitter: @guijermoacunha


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