Nunca escondi de ninguém - amigos, familiares, redes sociais, bêbados companheiros de balcão de bar ou estranhos na rua – a minha relação com a TIM.
É um relacionamento promíscuo (eu sei) de amor, ódio, términos e recomeços que talvez originassem uma novela da Globo. Tem de tudo: O mocinho (Eu), o relacionamento que vai e volta (TIM), a outra ponta do triangulo amoroso (VIVO), um passado misterioso e sem muitas explicações (Oi), um núcleo divertido e que não altera em nada o enredo (SAC), e a direção que não interfere muito e sem poder (ANATEL).
Só falta descobrir quem é o autor.
E eu gostaria muito de saber quem escreve para cobrar uma mudança nos rumos dessa história, que já tem mais capítulos que Malhação e tá na hora de atingir o “felizes para sempre”.
Para vocês entenderem (se quiserem né, lógico), meu primeiro celular foi da MAXITEL, lá no tempo cenozóico da telefonia móvel.
Na primeira fase dessa novela, eu era um jovem determinado, de família humilde, que num dia qualquer se apaixonou a primeira vista. Assim que vi aquele Nokia 5120 na vitrine, pensei em como resolver aquela situação financeira que nos separava.
Porém, num golpe do destino, ganhei um dinheiro inesperado, consegui me aproximar e rolou a primeira vez. Como todo jovem, achava que era um relacionamento sério, para sempre, e tudo corria bem.
Até que apareceu outra. Numa tarde de sol, vivenciando aquele relacionamento, uma propaganda da Oi dizia que eu poderia falar de graça nos fins de semana com outro Oi por 31 ANOS. Aquilo era uma tentação muito grande, melhor do que o filme do Pelé, numa época em que se pesquisava quanto as operadoras cobravam para falar por minuto (algo em torno de R$1,99).
E como todo jovem, caí na tentação. Com uma excelente roupagem (as caixas da Oi eram bacanas demais), larguei o meu 5120 da Maxitel para cair nos braços da Oi, com um C45 da Siemens.
Anos se passaram. Por um lado, vivia um relacionamento de mentira com a Oi. Uma relação de fachada, já que o sinal não pegava em todos os lugares e uma moça mineira linda sorria para mim. Seu nome era Telemig Celular e era frequentemente vista nos ambientes que eu freqüentava e que a Oi não ia comigo.
Para piorar, comecei a trabalhar nos negócios da família. Comecei a advogar pra a Oi e isso me afastava ainda mais da relação. Várias brigas internas, problemas constantes em filiais... E cada dia mais a Oi se afastava de mim e eu me afastava dela. Porém, nesse período, fiz amizades lá e isso amenizava a nossa relação. Até o dia em que a máscara da Oi caiu e vi meus amigos que lá trabalhavam serem demitidos. Ali percebi que aquela relação não teria futuro.
Para piorar, a Telemig Celular começou a se tornar mais presente. Resolvi trair a Oi e caí nos braços da outra, me livrando definitivamente de toda aquela relação de fachada. Parei de advogar pra Oi e fui trabalhar com amigos que havia feito lá, numa empresa de outro segmento. Além de assumir com a Telemig por meio de um Samsung que possuía até TV.
Mais alguns anos se passaram. Meu relacionamento com a Telemig ia bem, ela havia crescido e virado VIVO, mas o destino, novamente, resolveu agir.
Descobri que a Maxitel havia se casado com a TIM, gerando uma filha, TIM Brasil S/A. Uma jovem linda, que me fez recordar da juventude e de tempos felizes.
E foi essa tentação que me tirou do fundo do poço. Com a VIVO, vivia uma relação mais honesta e sincera do que tinha vivido com a Oi, mas não havia sentimento ali.
Estava sem emprego e, novamente, amigos que fiz quando advogava pra Oi me ofereceram emprego como advogado da TIM. Sabia que era arriscado, mas precisava de dinheiro e resolvi aceitar.
No fundo, meu "sentido de aranha" alertava que trabalhar para TIM e me relacionar com a VIVO não daria certo. Era questão de tempo.
Pessoas que trabalhavam para a TIM me cobravam uma relação mais próxima. E a cada dia mais me interessava, apesar de ver os problemas de perto. Acho que quando estamos nos apaixonando não percebemos os erros e defeitos do outro, né?
Pra piorar, a VIVO começou a me causar problemas. Talvez ela estivesse sentindo que meu lance com a TIM era coisa antiga, mal resolvida, que precisava de um momento de soluções.
Acho que até a TIM percebia isso também. E nos envolvemos novamente. Junto com um Nokia N8.
Me afastei da VIVO. Graças a ação da direção da novela – e a Portabilidade – fui para os braços da TIM novamente. Como Tarcísio Meira e Glória Menezes, achei que dessa vez teríamos um amor eterno.
Mas não deixei a VIVO sem nada. Arrumei um chip pré-pago e a mantinha perto de mim. Talvez numa relação de carinho e amizade inesperada, e que possuía apenas um lado comprometido.
Trabalhava feliz na TIM, me relacionava com ela, com amigos em comum, e mantinha uma certa amizade com a VIVO. Parecia que o “felizes para sempre" havia chegado. Talvez, para dar mais audiência, o destino agiu novamente.
Uma crise pessoal ocorreu e minha relação profissional com a TIM se foi, restando apenas o relacionamento pessoal.
Não sei o que aconteceu, mas a TIM parecia não mais estar na mesma sintonia que eu. Simplesmente não fazia as ligações, parou de cuidar de si, apresentou quedas na sua estrutura (internet) e não me procurava mais, deixando meu celular à revelia, largado.
Mas não me entreguei. Liguei pra ela, tentando manter nosso relacionamento da juventude aceso, mas a chama foi se apagando. Além disso, percebi que ela dava atenção pra muita gente, menos pra mim. E até no twitter ela parou de me responder.
Foi aí que a experiência falou mais alto. Resolvi dar ouvidos à minha história de vida, e percebi que devemos dar valor à quem nos dá valor.
Enxerguei quem sempre esteve do meu lado. Quem me deu suporte quando precisei e pra quem não dei valor. Percebi que havia trocado quem me dava atenção, por um relacionamento bobo da juventude.
A VIVO sempre esteve ali comigo. Podia não haver amor, mas havia um carinho especial.
Na semana passada pedi divórcio da TIM (portabilidade) e voltei pros braços da VIVO.
O mais interessante é que enquanto preenchia os papéis da separação, precisei acessar um email e a internet da TIM no meu celular não funcionava. A VIVO ajudou e eu consegui acessar e concluir o processo.
Nesse momento, a TIM mandou mensagem dizendo que recebeu a solicitação de portabilidade para outra operadora, e pedindo pra eu entrar em contato com urgência para outras informações.
Nem para pedir que eu ficasse a TIM ligou. Queria que eu ligasse pra ela, que eu corresse atrás como sempre. Nem parecia se importar que eu estivesse em um bar, bêbado no balcão e cantando “Garçom” do Reginaldo Rossi pensando nela.
Não pense que estou bebendo, chorando, ou sentado no sofá tomando um pote de 2 litros de sorvete assistindo aos seus comerciais, TIM.
Desta vez é diferente. Minha internet funciona, minhas ligações completam e sinto uma relação de reciprocidade.
Desta vez me sinto VIVO.
Acabou TIM. Espero que pra sempre.
E sem próximos capítulos.
Guilherme Cunha. Ex-advogado. Futuro escritor. É apenas mais um trabaiadô,doutô. Mais um nerd gordo que acha que é blogueiro. Apreciador de boa cerveja, boa música, boa conversa e de paciência Spider. Melhor jogador de War com as peças verdes. Siga-o no twitter: @guijermoacunha



hahah Adorei sua "novela!"
ResponderExcluirObrigado, Ricleyne! Digna de novela das 21h né? rsrsrs Obrigado pela visita! :)
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